11/10/2010

Quero ser Juliette Binoche

Se um dia alguém me perguntasse qual atriz do mundo inteiro eu gostaria de ser, eu escolheria a Juliette Binoche. Além de seu indiscutível talento e simpatia,“La Binoche” é, na minha opinião, um ideal de beleza. Nada de beleza artificial ou plastificada, nada de Jennifer Aniston (li várias vezes nos últimos tempos, em diversas entrevistas, que a ex do Brad Pitt tem sido considerada a “mulher perfeita” por muitos homens, brasileiros ou não, o que me espanta: juro, acho ela até feia!). Falo de beleza humana, feminina.

Não que ela fuja muito do cliché de francesa elegante e chique: tenho a impressão de que Juliette está sempre bem vestida, mas sem ser sisuda, sem perder a alegria ou aquele ar despojado. Está sempre sorrindo, mas com um “quê” de melancolia, como se toda uma trama de um filme de Krzysztof Kieslowski tivesse acontecido cinco minutos antes da sessão de fotos ou da entrevista. Nessas ocasiões, a atriz fica concentrada, parece estar prestando imensa atenção no que lhe é perguntado, e sua resposta vem sempre carregada de uma espontaneidade admirável, outra característica que eu atribuiria à “minha” Binoche (quando recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante por “O Paciente Inglês”, em 1996, uma Juliette deslumbrante subiu ao palco e, com a maior das sinceridades, revelou não ter um discurso pronto porque ela – e toda a crítica especializada e bolsas de apostas – achava que a Lauren Bacall, de “O Espelho tem Duas Faces”, levaria o prêmio pra casa!).

E não é só sua beleza e personalidade que me fazem ter vontade de ser Juliette Binoche. Invejo muito a sensibilidade da atriz, sua leveza, seus gestos. Ela tem uma incrível capacidade de transmitir sensações universais a cada pequena ação, a cada olhar, a cada palavra. Suas personagens sempre deixam uma impressão familiar, como se qualquer outra mulher pudesse estar em sua pele, passando por aquelas situações. É só prestar atenção em suas atuações e perceber os instantes entre uma palavra e outra, o espaço deixado entre seus gestos e mesmo a expressão nos olhos da atriz. Parece que ela escolhe a dedo os filmes dos quais faz parte. E neles há Juliette em cada pedacinho...

Recentemente li uma polêmica envolvendo Madame Binoche, seu novo filme e o ator, também francês, Gérard Depardieu. Em uma declaração, o ator disse não entender o que todos viam na referida atriz, que segundo ele “não tem absolutamente nada”. Fiquei super intrigada com a resposta de Juliette, que afirmou não entender o porquê da agressividade pública do colega, devendo-se talvez a seu último filme, “Copie Conforme”, que seria provocador, sobretudo aos homens. Como boa admiradora da atriz que sou, além de grande entusiasta de polêmicas (hehehe), fui atrás do bendito filme. Por sua atuação em “Copie Conforme” (2010), do diretor iraniano Abbas Kiarostami, Juliette foi agraciada em Cannes com a Palma de Ouro de melhor atriz. Não vi as demais concorrentes, mas vi o filme este feriado e já tomo partido. Só há uma hipótese: Gérard Depardieu pirou.

Ok, pode ser também que o ator não entendeu o filme. Existe, aliás, grandes chances que isso tenha mesmo ocorrido, afinal de contas o filme é quase uma Babel: o diretor, iraniano, ambienta seu filme numa cidadezinha da Toscana, na Itália, sua atriz principal é francesa e o ator, inglês. Essa globalização latente é ainda mais intensificada ao longo do filme, que começa em italiano, passa a diálogos (bem densos) em francês, depois em inglês e, de repente, não mais que de repente, esses dois últimos idiomas se misturam loucamente. Confesso que no meio do filme pensei ter perdidos partes importantes, fiquei confusa e até voltei um pouco. E tenho a forte impressão que era exatamente isso que o diretor queria...

Uma cópia, seja ela fiel ou simplificada, seria tão valiosa quanto o trabalho original. Afinal de contas, não seria o original uma mera cópia da realidade? É mais ou menos ao redor dessa tese que gira o filme, cujo nome vem do livro do pesquisador inglês James Miller, que vai à Itália lançá-lo e é confrontado pela personagem de Binoche. Ela é uma francesa que há cinco anos habita na Toscana e que, meio que por acaso, tornou-se proprietária de uma pequena galeria de objetos arte, cópias e originais. Não concordando com a idéia do inglês, mas visivelmente encantada pelo autor, ela põe-se a questionar a obra, rodeada por uma linda paisagem que novela das 8 nenhuma foi capaz de mostrar. Os dois começam então a divagar sobre a vida, sobre a simplicidade das coisas e o que é realmente importante. O que inicialmente parece um flerte, torna-se conflituoso: é neste momento que começa a mistura de idiomas. Creio que o "turning point" é uma cena em um café, quando a donna italiana acredita estar diante de um casal. O inglês se retira para atender ao telefone, e Binoche não desmente o mal-entendido. À partir daí há uma espécie de jogo entre os dois, com alternâncias entre cenas de uma paquera intensa e de discussões de um casal em crise.

Obviamente, o filme acaba do nada e deixa no ar qual de fato é a natureza da relação entre os dois (espero não ter estragado aqui o filme de ninguém!). Mas mesmo revoltadinha, como se não tivesse sido incluida no assunto da rodinha, fiquei pensando na importância dos pequenos gestos... o que diferencia um gesto de amor de um de mágoa? Agressões pequenininhas, que podem não ter significado especial para quem as pratica, pode ter um sentido muito maior para o outro. E isso pode ser visto por diversas vezes no filme: é o marido que dormiu sem esperar pela esposa, é o vinho agressivamente servido, é não reparar no novo brinco e no batom, é não perceber o flerte, a atenção, os comentário, é não oferecer ajuda diante de um longo caminhar com salto alto. Bom, pensando nisso é que eu entendi porque Depardieu ficou tão incomodado. A atuação de Binoche preenche cada um dos 106 minutos do filme, sabendo oscilar o tempo todo entre a paixão e o desapontamento. E sempre, de certa maneira, alfinetando o universo masculino, nem sempre ciente do tempo feminino, infinitamente mais denso e complexo.

Mais uma vez, a atriz se superou. Os traços dessa personagem vão ficar pra sempre, como o fizeram os de muitas outras antes. Gérard Depardieu é um ótimo ator, mas será pra mim sempre o Obelix, enquanto Juliette Binoche é múltipla, e ao mesmo tempo, única. Em "Paris" (2008), de Cédric Klapisch (o ótimo diretor de "Albergue Espanhol"), ela é Élise, a linda mãe solteira e solitária, que cuida do irmão doente (Romain Duris, também do "Albergue") e mesmo briga com ele como se fossem crianças, numa cena de uma sensibilidade brilhante. É também Anna Barton, de "Perdas e Danos" (1992), chocante filme de Louis Malle, uma femme fatale, agressiva, perturbada, má. É Hana, a enfermeira romântica e sonhadora de "O Paciente Inglês"(1996). É uma imigrante da antiga Iugoslávia que vive na Inglaterra, que faz de tudo para proteger o filho e tirá-lo do mal caminho, em "Invasão de Domicílio"(2006), filme que se enquadra perfeitamente na categoria criada por minha mãe, "um drama com um homem bem bonito" (que, no caso, é ninguém menos que o Jude Law!). É Tereza, a jovem e inocente fotógrafa de "A Insustentável Leveza do Ser" (1988). É Vianne, de "Chocolate" (2000). É tantas outras, é qualquer uma. E quem me dera se fosse eu.

13/04/2010

Entre Tupolevs e Trololós

Se o Café Califórnia fosse realmente um café, ele já teria falido há muito tempo. Ou no mínimo, seu café teria ficado igual à colônia de fungos da sala de pesquisa do Bruzzi, cultivada com amor e esmero por seu camarada Cabuloso-Chulipa...

Mas enfim, quero vir aqui comentar apenas algumas bizarrices sobre as quais discorremos hoje, e que me fizeram refletir um pouco sobre esse tipo de imagem tosca que temos das coisas da antiga União Soviética. Acho que só o fato de nos referirmos nos dias de hoje àquele imenso conjunto de países - tão distintos, mas que ao mesmo tempo compõem em nossa cabeça uma massa uniforme de pessoas branquinhas de bochechas vermelhas. Sempre esqueço que espalhados por aquela imensa quantidade de terra estão pessoas tão diferentes como os habitantes de Vladvostok (WAR rules!!!) ou os separatistas da Tchetchênia... ou agora os do Quisguistão, não é esse o nome do país com problemas atualmente? Que ali no meio tem desde católicos, passando por ortodoxos, ateus e até muçulmanos. Enfim, uma mistura só, mas que nós só conseguimos distinguir comoBIZARROS.

Começarei pelo Tupolev:


E o da foto ainda é da Aeroflot que, como o Bruzzi bem comentou, é mais conhecida por Aeroploft!

Imagina andar num avião desses: tecnologia soviética, com uma turbina extra ali em cima, na beiradinha da "bundinha" (essa parte de cima do avião, uma espécie de "asa pra cima", tem um nome?!) do avião. Chão de compensado de madeira, com cintos de segurança feitos de barbante e as máscaras de oxigênio, de papel? Aeromoças mal-educadas vestidas de vermelho, instruções de segurança em russo (aaaahhhh deve ser por isso que aquela galera polonesa morreu!!! Não souberam ler o cartão de instruções! hihihi)... pelo menos tinha janelinhas!!! Ou será que elas eram tampadas, pra evitar que os soviéticos vissem da janelinha o que não deveriam!?

Também vi um vídeo em um outro blog, que mostrava o Roberto Carlos soviético. Putz, o cara cantando a música mais bizarra do mundo com um sorrisão silvio santos na cara!!!
Vale conferir clicando neste link.

Quer dizer, acho que isso nunca supera o Jozin Bazin, da República Tcheca, não por um acaso ex-URSS. Jozin Bazin (por favor, assista até o final! E prestem atenção na parte do vidro!!!)

Que tal algo mais atual, vindo da Bulgária!??! Quem nunca viu a mulher bizarra, com um cabelo de Margie Simpson trajando um vestido de festa, se apresentando para o Ídolos Búlgaro??
Ainda mais cantando uma música internacionalmente conhecida, a Ken Lee?!

Uma bizarrice também atual, dessa vez capturada por mim. Eu vos apresento o Jan, meu grande amigo polonês, trajado como manda o figurino no verão de sua terra:





São ou não são bizarros, esses ex-soviéticos???

03/12/2009

xerox e esse nosso mundo pequeno...

1. Em decorrência da inimaginável economia do fator trabalho que reina nesses países que se intitulam “desenvolvidos”, não há ninguém responsável por tirar xerox. Ou seja, nós, pobres estudantes que mal sabem fazer uma prova, temos de nos entender, sem a menor preparação, com os monstros de metal e plástico que desempenham a função de tirar cópias. Eis que Luiz Felipe hoje necessitava de cópias. Pensei: deve haver, bem acima da máquina, as instruções para uso, assim como havia quando precisei de usar o scanner. Mas não... Não havia nada. Aqui, os pais devem ensinar para os meninos – além de andar de bicicleta, cuidar da grama e do jardim e cozinhar – a arte de xerocar. Então, estava eu de frente para as máquinas de xerox e pus-me a procurar alguma instrução escondida em algum canto: nada. A primeira pista que tive, é que tem-se que usar o Studicard (cartão para comer no bandejão) para pagar as cópias. Coloquei o meu no buraquinho próprio. A máquina se iluminou!! Mas em seguida retirei-o. Fiquei com medo de a máquina começar a copiar desesperadamente e gastar todo meu dinheiro... Ahhhh!! Ok, pensei, vamos começar do começo. Recoloquei o cartão, a máquina iluminou, mas não fez mais nenhum movimento brusco: boazinha, bonitiinha, pensei, quase acariciando-a. E aí eu simplesmente não sabia como levantar aquela tampa... Me uma saudade enoooorme da Nayane e da Adriana!! Nossa, que anjos, que pessoas maravilhosas que me iluminaram a vida durante esses anos todos de cópias e mais cópias: por que eu não lhes pedi um pequeno curso de como xerocar??? Lembrei de como esperava ali na janelinha, batendo um papinho, e às vezes vinha o Alban Fred querendo saber o que eu estava xerocando, acompanhado de seu amigo SO, aí imediatamente voltei minha atenção para a máquina. Ninguém merece não saber xerocar e ser atormentado por monstros... Aí pensei com muito cuidado na Nayane e na Adriana: basicamente, elas apertavam um botão grande, depois de dar umas programadas. As programadas eu não tinha a menor esperança de conseguir fazer: reduzir – HAHAHAHAHAHAH – me pedisse para recitar as suras do Alcorão mas não me pedisse para reduzir. Mas o grande botão verde estava ao meu alcance... Coloquei a revista meio ali na marca do A4 e... apertei. PRRRRRRR... TRRRRRRR... Corri para olhar de quando fora o prejuízo. 0,05 euro... Mas pelo menos não tinha sido roubado. Só que havia um problema: onde estava a página copiada??? Lá na Face saía do lado!! Aí olhei para a pessoa do lado, na outra máquina, e, parecendo muito natural, copiei a próxima página. Eu não ia começar a procurar o buraco de onde saem as folhas, assim em plena biblioteca né... Copiei tudo que precisava e a hora chegou. Dei uma abaixada assim de viés, passei a mão pelo corpo plástico da máquina... e fui cutucando. Uma pessoa passou – dei uma risada “hã hã” – e heureka! Achei as folhas, ainda quentes. Nayane e Adriana podem ter orgulho de mim! Consegui xerocar!!

2. Gente, o mundo é realmente muito pequeno. Vocês acreditam que fui encontrar, aqui na Alemanha, com um cara que conheci na Faculdade, no ano de 2007??? Pois é, eu também custei a acreditar, mesmo porque depois disso ele sumiu: nunca mais o vi, nem ouvi falar dele. Ele mexe com umas coisas de matemática e fez Micro I com a gente: ele costumava aparecer nas aulas da Carla. E o pior é que eu sempre achei ele um chato de galocha. Nem o conhecia direito, mas não tinha muita simpatia. Sabe, quando você vê um sujeito e já pensa: nossa, com esse aí não vou me dar bem. E ele sumiu completamente da Faculdade: acho que só o vimos no segundo período mesmo, talvez no terceiro, mas não me lembro dele depois das aulas da Carla. E eis que me aparece aqui, na aula de Economia Industrial, esse sujeito. Quando ele apareceu, eu não me lembrava direito do nome dele, é claro. Mas, para minha surpresa, o professor o apresentou. Aí não teve como: para minha infelicidade, eu lembrei de quem se tratava. O professor apontou e falou assim: Lagrange!

17/11/2009

relações internacionais... mais percalços

Olá, blogueiros! Então, após uma pausa, volto a fazer algumas observações no nosso blog.

1. No setor de imigração alemão. Todos sabemos das burocracias que uma viagem ao exterior, principalmente quando se trata de um não-europeu – aqui um não-europeu, em certos quesitos, é algo parecido com o que a bíblia chama de “fariseu”. Tanto os que vieram para cá quanto os que nos acompanharam na luta do DRI sabem desses percalços. Eis que o consulado alemão me diz no início do ano que é possível viajar sem visto para a Alemanha e resolver todas as formalidades aqui. Pensei: “Quando a esmola é muita, o santo desconfia...” Mas, com tanta coisa para resolver nas minhas prolongadas férias do meio deste ano, resolvi deixar o pau quebrar aqui. E ele se estraçalhou! Nem tanto, mas vamos lá. Quando fui me registrar (anmelden) como morador perante a Cidade de Mainz, tive, é claro, de mostrar meu passaporte. A primeira pergunta da funcionária – uma gorda alemã de meia-idade (quase idade-inteira), loira, de cabelo cacheado: “Onde está seu visto? (Wo ist Ihr Visum?)” Eu disse: “Eu não tenho! (Ich habe keins!)”. Pensei: eu já sabia! E fiquei olhando para a mulher, esperando a reação. Afinal, era obrigação dela saber o que os consulados decidem por aí. “Mas como você entrou na Alemanha? (Wie sind Sie eingereist?)”. Tive vontade de responder: “Ah, minha filha, tem coisas que o dinheiro não compra, mas pra todas as outras existe MasterCard! Você acha que eu, LFBC, ia correr atrás de visto? Subornei o fiscal da imigração!”. Mas me controlei... Como eu entrei?? Será que ela pensou que eu era um fenômeno holográfico? Ou que tinha de fato nadado até o Mar do Norte?? Como eu entrei! Entrei entrando, ué! O carimbo estava lá: Frankfurt, dia 12/10. Respondi: “Eu entrei sem visto. No Brasil, o consulado alemão me informou que a partir de agora, nós podemos entrar sem visto e resolver tudo aqui.” (keine Übersetzung nötig). E ela: “Mas como você entrou, se você precisa de um visto! (Wie sind sie überhaupt eingereist? Eigentlich brauchen Sie ein Visum!)”. Aí não tive dúvida. Ela estava pensando que eu vim no bagageiro do avião ou coisa parecida. Como eu estaria ali, na frente dela, se eu não posso entrar no país sem visto??? Mas aí vemos a essência do pensamento alemão: o descumprimento de uma regra é algo tão grave e inimaginável que ela pôs em dúvida o fato de que estava ali, ou seja, eu não podia estar ali. Eles não cogitam uma mudança da regra, cogitam, antes, uma alteração da realidade. E é uma realidade palpável, muito embora em desacordo com uma (suposta) regra. Portanto, foda-se a realidade palpável: ele está aqui; mas como ele precisa de um visto, o fato de ele estar aqui, ter entrado no país e ter um carimbo no passaporte não tem tanta importância. Eu fiquei calado. E ela custou muito para raciocinar que, se eu estava ali (FATO), é porque provavelmente a REGRA estava errada e não era o fato de eu estar ali que deveria ser questionado. Ela olhou para a colega do lado, a colega do lado também não sabia. Falou: “É, precisa de visto, sim. Você está aqui como turista?” Ela já começou a abrir o leque, já foi um progresso. Eu: “Não, para fazer faculdade!”. Não deu outra: “Mas aí você precisa do visto!”. Fiquei calado. E reinou um certo clima de que eu tinha que desaparecer, para essa incongruência acabar. Até que a gorda teve a idéia de que alguma regra poderia ter mudado. Ahá! Telefonou para sua colega do departamento de estrangeiros e a mesma a informou de que, sim, brasileiros podem agora entrar sem visto.

2. No museu do chocolate. Apesar das recomendações contrárias da Tete, o museu estava no programa da excursão de Colônia. Enfim, não descreverei as diversas etapas da produção do chocolate, nem a risível estufa que montaram lá, para o europeu sentir o ambiente onde cresce o cacau. Algumas curiosidades interessantes, outras mais bobas. Mas Luiz Felipe Bruzzi Curi Atraidor de Polêmicas tinha que, em meio a essa ingênua visita, encontrar alguma coisa para se preocupar. Entre embalagens antigas de bombons e cartazes de propaganda retrô, vi, meio escondido num canto, um pôster: O cacau e a escravidão, com um mapa das rotas nossas conhecidas. Pensei: olha, uma coisa interessante no meio da futilidade. Pus-me a ler. Falaram dos sofrimentos dos escravos que trabalhavam nas produções de cacau, deram umas descrições do tráfico negreiro e das formas de trabalho forçado – até aí, tudo certo. Fui lendo e cheguei ao gran finale (reproduzo as idéias, claro, não me lembro das palavras: É uma história de sofrimento, mas hoje em dia dificilmente se lembra disso, não é? Afnal, quem se lembra de tanto sofrimento ao morder um chocolate? Li de novo, era aquilo mesmo. É muita hipocrisia, não? Falar que comer um pedaço de chocolate faz esquecer toda uma história de exploração. É demais. Dá desânimo nessas horas, mas ao mesmo tempo orgulho de ser brasileiro e de portanto saber que o mundo não é da forma que uns crêem que seja.

3, Máquina de lavar. E o medo de lavar minha capa de edredom listrada com as roupas brancas? Foi-me dito que não posso misturar roupas brancas com não-brancas. Mas praticamente não tenho roupas 100% brancas! E a roupa de cama e branca com listras azuis. Aí chegou o dia, tive que arriscar. Coloquei tudo na máquina e quase fui à igreja acender uma vela para minhas cuecas brancas não ficarem azuis. Cuecas, meias e blusas... Agachei-me em frente à máquina e colei a cara no vidro. Comecei a ver aquele emaranhado de roupas girando, a água caindo, fiquei tentando identificar algum fluxo de tinta, se a água estava meio azulada, mas nada. Estava tudo apenas úmido e girava, girava, girava: tenho a impressão que aquilo ali não lava direito não, dá uma lavadinha. Como que esfrega? Alguém abriu a porta da sala das máquinas e imediatamente fiz que catava alguma coisa no chão e levantei num reflexo, movido pela inteligência que o corpo possui para identificar situações ridículas. Cumprimentei a pessoa e saí. Quando voltei, minhas roupas estavam todas em cima da máquina! Uma PUTA queria usar a máquina e tirou minhas roupas de lá. Nossa, não tem coisa mais irritante que chegar para pegar sua roupa e ela estar em cima da máquina. Fico pensando: onde a pessoa colocou a mão antes de pegar na minha roupa? Imagina se tiver acabado de cagar... Uma sensação terrível de Cohab. Muito contrafeito fui conferir se havia manchas. Não, pelo menos isso! As listras não foram suficientes e eu não fui obrigado a antecipar o Carnaval.

4. Um link interessante que nosso amigo Serra me mandou: http://www.economist.com/displayStory.cfm?story_id=14845197&source=most_commented . Ele estava – é claro – radiante de felicidade. Eu tenho lá minhas críticas e questões, mas vale a pena ler.

07/11/2009

um gráfico meu no PagoDados.

Mandei uns gráficos para o PagoDados e eles publicaram esse daqui:



É sobre aquela música do molejão: "te ganhei no paparico, te papariquei. Fui te dar um fino trato, me apaixonei.."

Vejam só o site do Pagodados: clique aqui!


27/10/2009

dica do dia: PagoDados


Três malucos tiveram a fantástica idéia de transformar letras de pagode em gráficos. O nome do tumblr deles é PagoDados e merece ser visitado. Vale umas boas risadas.

Olhem só:



São eles @meninaquejoga, @redator e @arashida e para mais gráficos clique aqui!


26/10/2009

comédias da vida doméstica...

1. Em Mainz. Vida de doméstico é dura, minha gente. Imaginem Luiz Felipe Bruzzi Curi escolhendo amaciante no supermercado. Foi muito parecido com escolher refresco da cantina da Face: “Me dá o de vermelho!”. Pois bem, havia vários amaciantes, de diversas cores e tamanhos. Peguei um: “Cheiro de flores”, outro: “Bom para o meio-ambiente”, “Sol do verão”... Fui olhando o preço, diferença de uns centavos entre um e outro. Fui pensando, meio como mineiro: é melhor não levar o mais barato, não, porque deve ter treta. Vou levar um intermediário, assim, que parece bom. Mas olhei para o rótulo: tão barango, com uns desenhos que me lembraram Ana Maria Braga. Quando eu dei por mim que Ana Maria Braga estava entrando na história, decidi rápido: vou pegar o de amarelo. E até que funcionou... E para comprar pano! Nunca imaginei que uma pessoa precisasse de comprar pano. Pano é coisa que brota da cozinha das casas, brota do nada, do chão. Lá fui eu comprar pano... Foi mais fácil: não tinha muita opção. Comprei um kit com três panos. E faz uma falta... Ontem fui lavar a louça acumulada e: ué, como faz para enxugar? Aí escrevo na listinha: pano de prato. Aiai...

2. Talvez uma das primeiras constatações da sabedoria da vida doméstica remeta ao budismo e à ausência de um objetivo final para a existência: para nossa mentalidade monoteísta abraânica, a vida tem um fim (uma finalidade) – a salvação, a redenção, a ressurreição, a Terra Prometida. Não sei muita coisa sobre budismo, mas já ouvi dizer que por lá a vida é cíclica: morte e vida se repetem, uma não é superação da outra. Quando se tem que cuidar da vida doméstica, a realidade da continuidade aparece crua. Não basta limpar hoje: há que limpar hoje e daqui a alguns dias, para limpar novamente. Nas primeiras idas ao supermercado, eu cheguei a pensar que poderia comprar tudo e fazer um estoque, de modo a não mais preocupar-me com acepipes e coisas do gênero. Provavelmente vício de economista que é acostumado a pensar a mercadoria como gelatina de trabalho abstrato (como quer o velho barbudo) e não como um valor de uso, que possui características e idiossincrasias tão particulares. Do tipo: leite coalha, maçã empretece, presunto fede, queijo cura – pelo menos papel higiênico não tem prazo de validade. Também, né? Ter de executar uma função tão vagabunda e ainda ter prazo de expirar seria uma injustiça. Mas é isso: tenho que ir ali recolher as roupas da máquina de secar e, no momento em que faço isso, já olho para a pilha de roupas já sujas bem aqui ao meu lado. O próprio percurso de ir até a máquina de lavar já faz com que esta roupa que estou usando se torne mais suja. É o caráter cíclico da vida doméstica. Acho que por conta de um ser específico (mãe) temos a impressão de que não há esse caráter cíclico, ou pelo menos não somos obrigados a segui-lo: mas a dura realidade é que cada lanche (em casa, lanche é lanche!!) significa: 1. Consumo de víveres, portanto redução do estoque de víveres e várias reduções no mencionado estoque demandam uma ida ao supermercado para reposição. 2. Produção de dejetos que devem ser eliminados ou limpos. O lixo tem que ser acondicionado e posteriormente levado ao local de coleta e a louça utilizada tem que ser lavada. 3. Eliminação, por parte do corpo, dos resíduos, o que significa consumo de papel higiênico e uso do vaso sanitário, o qual também deve ser limpo. Podemos continuar infinitamente, e certamente voltaremos ciclicamente ao lanche, de onde tudo partiu. Antes que vcs pensem que estou pirando, vou buscar as roupas!!

15/10/2009

Mais observações


1. Na biblioteca da Universidade de Nottingham. Camilinha havia ido à aula e marcamos de nos encontrar na grande biblioteca da universidade. Um prédio enorme, envidraçado, um verdadeiro templo do saber britânico. Entrei. Fui direto à sala de livros de economia. Corri aos computadores. Aliás, nesse quesito o mundo está bem globalizado (ou “as pessoas que estudam biblioteconomia têm alguma lógica!”), porque os computadores funcionam de maneira muito parecida com os da nossa UFMG. Mas uma coisa falta: bloquinho e caneta para anotar as coisas. Esses países desenvolvidos ficam racionalizando demais e acabam economizando nessas pequenas coisas que tornam a vida mais prática e agradável. Enfim, adivinham o que digitei lá primeiro pra ver se encontrava? Acertou quem disse: MARX. Coloquei lá: “Marx Grundrisse”. E ele encontrou. Armado somente da minha memória, fui à prateleira e, pela primeira vez em toda minha vida, coloquei as mãos num exemplar alemão original dos Grundrisse. Fiquei lá, lendo os títulos e subtítulos e lembrando. Quis roubar pro João Antônio... Afinal, não temos um desses na nossa querida Face. Mas depois o alarme da biblioteca poderia soar e seria uma cena baixa. Voltei ao computador: “Celso Furtado”. Encontrou uns quatro! Mais uma vez, repetindo mentalmente os códigos, fui atrás: “Economic Growth in Latin America” e “Economic Development in Brazil”. Formação Econômica da América Latina e Formação Econômica do Brasil estavam lá. É tão bom ver esses ingleses tendo que engolir a gente um pouco... O velho decrépito foi longe, gente! Foi dando a minha hora e tive que ir embora, antes que pudesse digitar Claudio Gontijo e ver a enorme prateleira dedicada a ele na Universidade de Nottingham.

2. Foto com o fundador da nossa ciência. Acho que só economistas fazem esse tipo de coisa. É claro que tive de tirar uma foto com Adam em Edimburgo! Melhor do que isso é ficar sabendo, na cidade de Adam Smith, que nós seremos sede das Olimpíadas 2016. A Escócia, aliás, é um país lindo e Edimburgo, uma cidade fantástica: meio dark, meio assombrada, cheia de meandros e ladeiras como Ouro Preto e escura como se fosse um castelo rodeado de casas de pedra (o que de fato é verdade!). É um lugar meio isolado, aonde nem os romanos chegaram. No entanto, que me desculpe o Smith, mas nós estamos muito bem na fita, sediando Copa e Olimpíadas! Mas já era hora. Estou rodando neste momento num trem no interior da Inglaterra, com suas fábricas e usinas desativadas, do tempo da revolução industrial, uns campos com ovelhas pascendo – esse mundo é muito velho! OK, eles são mais ricos que a gente, estão tecnologicamente à frente, mas esse mundo já não é a realidade e nem o desejo do ser humano. Por aqui as coisas parecem ser nostalgia de uma Era de Ouro (“Era do Capital” já diria Hobsbawm) perdida e nós – “brigada Deus!” – vivemos o país do futuro! O futuro nunca chega, mas nós estamos sempre na esperança de alguma coisa nova, uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, o pré-sal – pelo esporte ou do fundo do mar, a salvação há de vir. Se não vier, problemas. Como bom atleticano, sei que sempre há um campeonato depois do outro. Aqui, parece que a vida perdeu esse viço, esse ímpeto de seguir em frente que a gente sente no Brasil: essa ânsia pelo novo, essa consciência de que existe uma Amazônia a descobrir, de que há um sertão árido a desbravar. Lembram do lema da UFMG? “Incipit vita nova” (inicia a vida nova). Aqui, lema de universidade é: DESDE 1200 e vovó gostosa. Cultiva-se quase somente o que já passou... Até porque não só as fábricas, mas a população é decrépita! Hahahaha. Gente, a Inglaterra tá com o pé na cova! Mas é isso por hoje: aí vai a foto com nosso Adam.

29/09/2009

Viagem à Europa

Pessoal,
mando algumas observações pelo blog... Tentarei postar de vez em quando...

Observações de viagem

1. Chegando a São Paulo, estava esperando as malas ao lado da esteira, quando escuto alguém atrás falando: “Ó é-lá”. Como bom mineiro, achei que fosse uma pessoa dizendo: “Olha ela lá!”, referindo-se à mala que vinha. Instantes depois, escuto a resposta: “É-vã-cá”. “Ela vem cá”, traduzi mentalmente. De repente, uma frase inteira “É lá-cauá alá na cá má!”. Não consegui traduzir. Olhei para trás. Lá estavam Ching-Ling, Ling-Ching e uma moça, talvez Ching-Li. Eu podia jurar que havia entendido o que eles falaram antes da imensa frase incompreensível!

2. Atrás de mim, um grupo de excursão para a Terra Santa! Que medo... A guia está combinando com a galera como será a divisão entre grupos e perguntando quem participará de um culto ou outro. Sâo evangélicos... Acabo de escutar que a Pastora Jussara está no banheiro. Medo-mór! Eles não se cumprimentam normalmente. Um casal chegou e eles vão apertando as mãos uns dos outros dizendo: “Paz!”, “Paz!”, “Paz!”, “Paz!”. Deus meu... Uma perguntou aqui: “Será que eu sou a única pastora indo?”. Outra respondeu: “Eu sou pastora também! Paz.” Paz, gente, pelo amor de Deus. Uma pergunta recorrente: “Quem foi que te batizou?”. Agora uma visão infernal toma conta de mim: um tanto de crente tirando foto em Jerusalém! O vôo deles vai para Roma e depois seguirão para Israel. Toda conversa no celular termina com, no mínimo, três améns e dois deus-te-abençoe. Desculpem, não se chama excursão aquilo que eles fazem: chama-se caravana. Para concluir a passagem deles pela sala de embarques de Guarulhos, um cinegrafista vem e, câmera na mão, pergunta á guia quais são as expectativas. Esta responde que serão experiências excelentes e que tudo será comandado por Deus. Uma senhora se dirige para a fila dizendo às amigas: “Minina, você precisa ver os louvores que ele gravou!”. Paz!

3. Duvido que algum de vocês já rodou uma regressão em cima do Oceano Atlântico! Pois é, nessas situações em que não se tem nada para fazer e a perspectiva de horas a fio dentro dessa lata de sardinha aérea, o que resta a nós, economistas? Reg logsal educ! Clássico, né? Muito significativo...

4. Os brasileiros são bem egoístas. Entrei no Boeing 747 da British Airways e me dirigi ao assento marcado. Era o do meio, entre o corredor e a janela. No corredor, estava assentada uma asiática que começou a puxar papo e disse que estava “on her way back to Hong Kong”. Pensei: se ficarmos só nós, eu e a japoranga, e o assento da janela vazio, vai dar samba. Eu mudo pra janela e ficamos com o do meio livre. Todavia, quando penso que não, um inglês careca e malcheiroso se assenta ao meu lado. Matutei: não vai dar samba nem fudendo. E comecei a olhar no avião se havia algum lugar livre melhor que aquela prosaica mediação entre Oriente e Ocidente. Havia, e foi a asiática que me disse: “A good place for you”, dando aquele sorriso constante que os asiáticos têm quando falam. Levantei e fui perguntar, em inglês, à aeromoça se podia trocar. Ela me reprimiu, em bom português, dizendo que deveria permanecer sentado, pois os procedimentos de decolagem ainda estavam em curso. Assim que os sinais luminosos se apagaram, levantei e corri para o lugar vazio, um assento de corredor. À janela, uma brasileira. Coitada, estraguei o dia dela. Tentou a todo custo demover-me de sentar no corredor, já que ela não poderia deitar mais. Mas nós teríamos o meio livre, ora bolas. Ela, então, alegou que o seu assento era, de fato, o corredor e que se mudara para a janela só porque não havia ninguém. Eu disse, então: “Eu sento à janela!” Na verdade, disse “na janela”, mas, em honra ao bom português, “à janela”. Coitada, ela não esperava que eu estivesse tão disposto. Avisou-me: “o assento da janela não inclina”. Ao que respondi: “Não há o menor problema! Eu não durmo mesmo! Qualquer coisa, encosto na janela.” Chamamos a aeromoça para ver qual era o problema com o assento, que realmente não inclinava. Achei que minha rival estivesse jogando verde pra ver se colava e eu desistia, mas quem roda regressão a milhares de pés, não perde fácil uma batalha. A pilantra da aeromoça, que sabe português, disse: “Gente, o que posso fazer aqui em cima é: zero! O engenheiro de vôo não veio!” Lacônica e mordaz. A mulher ao meu lado acabou tendo de se resignar, apesar de ver seu sonho dourado de três lugares só para si se desmoronar em um segundo, quando larguei minha nobre mochila sobre o assento. O povo é muito egoísta! Mal sabia ela que um marxista ia chegar pra forçá-la a coletivizar seu espaço... O bom velhinho ia ter orgulho de mim! Mas a mulher acabou cedendo, afinal de contas, melhor eu que um inglês gordo, uma italiana decrépita, “um preto norte-americano forte com brinco de ouro na orelha” (como diria Caetano) ou um casal com criança berrenta. Aí acabou me contando que mora na Turquia, é de Cuiabá. Cuiabá existe, não é como o Acre! E perguntei se lá é realmente quente como aparece no Jornal Nacional e ela disse que é, mas não gostou da pergunta. Algo como perguntar a um africano: é verdade que o povo lá na África está morrendo de AIDS? Saímos da zona de turbulência e agora posso ir ao banheiro. Será que os crentes tão louvando uma hora dessas?

27/08/2009

frase do dia (continuando o post da Tetê)

É curioso. Com tanta anta em nosso congresso não vi, durante os últimos aumentos salariais da moçada, qualquer antagonismo
.

Millôr Fernandes



p.s.: vale a pena seguir @millorfernandes

13/08/2009

Fora Sarney?

Buscando mais detalhes sobre a atual vergonha do Senado Brasileiro, uma vez que, ausente, não acompanhei com detalhes o que vinha acontecendo na nossa República, achei um texto da Lúcia Hippólito postado em um blog também interessante: http://www.narizdepalhaco.wordpress.com/

Tomo a liberdade de colar aqui o referido artigo, e perguntar: alguém anima de ir na passeada "Fora Sarney" deste sábado, às 14hrs, na Praça Sete?



As mais recentes denúncias sobre as estripulias do senador José Sarney estão longe de ser as últimas e apontam na mesma direção de todas as anteriores: a privatização de recursos e espaços públicos em benefício próprio. Ou de sua família. E o desprezo às leis do país.
Senão vejamos. Distraído, Sarney não reparou que recebia mensalmente R$ 3,8 mil de auxílio-moradia, mesmo tendo mansão em Brasília e tendo à disposição a residência oficial de presidente do Senado.


Culpa da burocracia do José Sarney.

Distraidíssimo, Sarney esqueceu de declarar sua mansão de R$ 4 milhões à Justiça Eleitoral.

Culpa do contador.

Precavido, requisitou seguranças do Senado para proteger sua casa em São Luís – embora seja senador pelo Amapá.
Milionário (embora o Maranhão continue paupérrimo), não empregou duas sobrinhas e seu neto em suas inúmeras empresas. Preferiu que se empregassem no Senado.
Milionário generoso, não quis deixar a viúva de seu motorista ao relento. Empregou-a para servir cafezinho no Senado, em meio expediente, com salário de R$ 2,3 mil. Ah, e alojou-a em apartamento na quadra dos senadores.
Generoso, não impediu que seu outro neto fizesse negócios milionários com crédito consignado no Senado.
Ainda generoso, entendeu que um agregado da família deveria ser também empregado como motorista do Senado – salário atual de R$ 12 mil – mas trabalhando como mordomo na casa da madrinha, sua filha e então senadora Roseana Sarney.
Aliás, Roseana considerou normal convidar um grupo de amigos fiéis para um fim de semana em Brasília – com passagens pagas pelo Congresso.
Seu filho, Fernando Sarney, o administrador das empresas, que sequer é parlamentar, considerou normal ter passagens aéreas de seus empregados pagas com passagens da quota da Câmara dos Deputados.
Patriarca maranhense, ocupou as dependências do Convento das Mercês, jóia do patrimônio histórico, e ali instalou seu mausoléu. O Ministério Público já pediu a devolução, mas está complicado.

Não é um fofo?

Um dos mais recentes escândalos cerca justamente a Fundação José Sarney, que se apoderou das instalações do Convento das Mercês. Consta que R$1.300 mil captados através da Lei Rouanet junto à Petrobrás, para trabalhos culturais na Fundação José Sarney foram… desviados.
Não há prestação de contas, há empresas-fantasmas, notas fiscais esquisitas.
Enfim, marotice, para dizer o mínimo. Mas Sarney alega que só é presidente de honra da Fundação.

Culpa dos administradores.

E o escândalo mais recente (na divulgação, não na operação): Sarney seria proprietário de contas bancárias no exterior não declaradas à Receita Federal. Coisa do amigão Edemar Cid Ferreira, amigão também da governadora Roseana Sarney a quem, dizem, costumava emprestar um cartão de crédito internacional. Coisa de gente fina.
Em suma, acompanhando as peripécias de José Sarney podemos revelar as entranhas do coronelismo, do fisiologismo, do clientelismo. Do arcaísmo.

Tudo isto demora a morrer. Estrebucha, solta fogo pela venta. Mas um dia desaparece. Tal como os dinossauros.


Texto escrito por Lucia Hippolito, O GLOBO - 11.7.2009

09/05/2009

reinventando até Leminski


"uma boa gambiarra
leva dias
cinco juntando bugigangas,
mais cinco procurando o durex,
seis encaixando pauzinhos,
nove admirando o efeito,
sete levando choque,
quatro andando pela casa,
três mudando de idéia,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
aproveitando o novo."


02/04/2009

Lula 'é o cara', diz Obama durante reunião do G20, em Londres

Botando pimenta na discussão...
Tá ai o link para vocês conferirem:

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1070378-9356,00-LULA+E+O+CARA+DIZ+OBAMA+DURANTE+REUNIAO+DO+G+EM+LONDRES.html

Tão vendo? O problema é com brancos de olhos azuis! O Obama não é dessa turma... Hahahahah.
Com certeza, vai ter quem acha o cúmulo do absurdo um presidente receber um elogio tão "direto" do presidente americano... Vão falar que o Obama não tem nada a ver com a gente, que não tinha nada que falar isso do Lula... Se eu fosse o Lula, que aliás foi chamado de "boa pinta", eu responderia pra essa galerinha reclamona: "Companheiros e companheiras, eftilo é uma coisa que você tem ou você não tem!"
HAHAHAHAHA.

29/03/2009

"É uma crise causada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis"

Bom, pessoal, coloquei dois links aí para vcs verem a última tirada do Lula. Basicamente, ele falou, diante do primeiro-ministro inglês, que a crise foi provocada por gente "branca de olhos azuis" e que nunca viu pobre (ou negro) dono de banco. Foi mais ou menos isso, mas olhem as reportagens para ver melhor.

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/imprensa-destaca-frase-lula-brancos-olhos-azuis-431155.shtml

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Economia&newsID=a2455344.xml

O que eu queria era puxar o assunto... O que vcs acham disso?
Eu não sou contra a declaração, não. Ouvi muita gente atacando, dizendo que foi uma coisa "vulgar". É certo que foi vulgar, mas não vejo por que um presidente brasileiro tem de dizer aquilo que os "líderes mundiais" querem ouvir e da maneira que eles querem ouvir. De fato, foram os brancos do olho azul - a gente dos países ricos (Europa e EUA) - que causaram essa crise que estamos vendo. Foram os mesmos que nos mandaram ser neoliberais em certo momento, foram os mesmos que sempre acharam que o mundo deve imitá-los, foram os mesmos que sempre se beneficiaram da dependência, direta ou indireta, do mundo subdesenvolvido. Jogar na cara, de maneira direta, uma verdade não é, a meu ver, um erro político, nem uma gafe diplomática. Se isso vai ajudar a resolver a crise? Provavelmente, pouco. Mas quem não se lembra das Comissões Mistas, dos acordos com o FMI, das inúmeras formas de nos fazer seguir a cartilha deles? Acho que essa frase é simplesmente uma provocação para desopilar o fígado: aquele puta-que-pariu que a gente solta quando dá raiva. Sem entrar em considerações sobre o governo Lula, ao qual cabem inúmeras críticas, o presidente me parece ter acertado o alvo, mesmo que só retoricamente, afinal, sabemos que não há política brasileira de embate com os países desenvolvidos.
PS. O André muito provavelmente vai discordar de mim e atacar a declaração, afinal, é uma acusação direta a ele...

25/03/2009

Frase do dia


"Tô" numa maré de azar tão grande que se eu comprar um circo o anão cresce


Bruzzi
lexicógrafo e futuro economista

23/03/2009

Mau Humor

Queridos!

Eu acho sempre mais sem-graça postar coisas não-autorais (não que a minha produçao autoral seja vaaaasta), mas recebi uma crônica por e-mail que veio no momento certo. Eu achava que tava ficando chata... agora vi que é verdade, mas outros também estão!
Espero que gostem!
Beijos saudosos,

Stephania

MAU HUMOR
Lula Vieira

Não me lembro direito, mas li numa revista, acho que na Carta Capital, um artigo levantando a hipótese de que todo o cara que tem mania de fazer aspas com os dedinhos quando faz uma ironia é um chato. Num outro artigo alguém escreveu que achava que jamais tinha conhecido um restaurante de boa comida com garçons vestidos de coletinho vermelho. Joaquim Ferreira dos Santos, em 'O Globo' de domingo, fala do seuprofundo preconceito com quem usa 'agregar valor'. Eu posso jurar que toda mulher que anda permanentemente com uma garrafinha de água e fica bebendo de segundo em segundo é uma chata. São preconceitos, eu sei.

Mas cada vez mais a vida está confirmando estas conclusões. Um outro amigo meu jura que um dos maiores indícios de babaquice é usar o paletó nos ombros, sem os braços nas mangas. Por incrível que pareça, não consegui desmentir. Pode ser coincidência, mas até agora todo cara que eu me lembro de ter visto usando o paletó colocado sobre os ombros é muito babaca. Já que estamos nessa onda, me responda uma coisa: você conhece algum natureba radical que tenha conversa agradável? O sujeito ou sujeita que adora uma granola, só come coisas orgânicas, faz cara de nojo à simples menção da palavra 'carne', fica falando o tempo todo em vida saudável é seu ideal como companhia numa madrugada? Sei lá, não sei. Não consigo me lembrar de ninguém assim que tenha me despertado muita paixão.

Eu ando detestando certos vícios de linguagem, do tipo 'chegar junto', 'superar limites', 'focar' essas bobagens que lembram papo de concorrente a big brother. Mais uma vez, repito: acho puro preconceito, idiossincrasia, mas essa rotulagem imediata é uma mania que a gente vai adquirindo pela vida e que pode explicar algumas antipatias gratuitas.
Tem gente que a gente não gosta logo de saída, sem saber direito porquê. Vai ver que transmite algum sintoma de chatice.

Tom de voz de operador de telemarketing lendo o script na tela do computador, repetindo a cada cinco palavras a expressão 'senhoooorrr' e dizendo que 'vou estar anotando' e 'vamos estar providenciando' me irrita profundamente.

Se algum dia eu matar alguém, existe imensa possibilidade de ser um flanelinha.. Não posso ver um deles que o sangue sobe à cabeça. Deus que me perdoe, me livre e me guarde, mas tenho raiva menor do assaltante do que do cara que fica na frente do meu carro fazendo gestos desesperados tentando me ajudar em alguma manobra, como se tivesse comprado a rua e tivesse todo o direito de me cobrar pela vaga.

Sei que estou ficando velho e ranzinza, mas o que se há de fazer? Não suporto especialista em motivação de pessoal que obrigue as pessoas a pagarem o mico de ficar segurando na mão do vizinho, com os olhos fechados e tentando receber 'energia positiva'. Aliás, tenho convicção de que empresa que paga bons salários e tem uma boa e honesta política de pessoal não precisa contratar palestras de motivação para seus empregados. Eles se motivam com a grana no fim do mês e com a satisfação de trabalhar numa boa empresa.

Que me perdoem todos os palestrantes que estão ficando ricos percorrendo o país, mas eu acho que esse negócio de trocar fluidos me lembra putaria.

E para terminar: existe qualquer esperança de encontrar vida inteligente numa criatura que se despede mandando 'um beijo no coração'?

04/03/2009

sobre escadas..




Sempre quando desço mais de um andar de escadas já não sei mais em que andar estou.

É que entre uma passada e outra das pernas eu vou prestando atenção nos degraus, pra não tropeçar. Mas em pouco tempo o ato já se tornou automático o sufuciente pra que o meu cérebro se perca em memórias, devaneios, filosofâncias...
E quando dou por mim já não sei se desci dois, três ou quantos lances de escada.

Paro. Olho em volta tentando me situar. Começo a rir da situação.

E o interessante é que, exatamente nesse momento sempre passa uma pessoa por mim e, como me vê sorrindo, começa a rir também.

Apesar de perdida, fico alegre por ter feito alguém, mesmo que por educação, sorrir.

30/01/2009

Cuidado: falsos profetas virão..

Todos já viram algum caso de "falsos profetas" que se aproveitam da fé alheia para enriquecer e promover loucuras que, na minha opinião, nem a fé é capaz de explicar. São igrejas, seitas e religiões das mais mirabolantes. 

Até aí nenhuma novidade, mas tem gente que exagera!

O INRI CRISTO (quem? se você não o conhece clique aqui e veja o site dele.) dessa vez passou do limite do ridículo. Em uma tentativa de alcançar o público jovem que acessa o youtube, ele lançou versões de músicas pop com letras que divulgam suas obras e preceitos. 

Já foram feitas "versões místicas" para músicas como "hotel california", "wind of change" e "eye of the tiger".

Destaque especial para "toxic", da Britney Spears, com direito a coreografia imitanto o clipe. Vejam só: 


Outra "pérola" ficou a versão de "umbrella", da Rihanna (que já foi gravada pelo Vanilla Sky também)


Eu tenho medo.. Muito medo..
  

16/01/2009

Cheguei!!!

Demorou mas eu cheguei!! Não vou postar nada de interessante hj, mas apenas gostaria de avisar que SIM, agora eu posso postar tb!!!
Confesso que os meses que passei sem postar quando desejei foram dificeis, mas dificil mesmo foi vencer aquelas letrinhas disformes que aparecem para confirmar algumas operações da internet.
Juro, quando fui criar a minha conta Google tive de digitar 4 vezes aquela coisa de tão ilegivel que era!! Bom, consegui!!!

09/01/2009

Recordar é viver, Aires...

Pessoal: como se diz, recordar é viver, e, nesse espírito, estou postando aqui a imagem de um mineiro ilustríssimo, que tanto nos fez rir durante o ano de 2008. Espero que ele também nos traga muita felcidade para 2009.

04/01/2009

Na faixa de Gaze

Na temida faixa de Gaze
Está faltando é curativo
Não quero que Israel arrase
Com todo árabe vivo!

Já soltaram muita bomba
Pra acabar com o Hamas
E o mundo todo zomba
Da ofensa contra a paz!

Será que o povo judeu
Não lembra da Alemanha
Que com todos eles fudeu
Sem fazer a menor manha?

Meus camaradas, SHALOM!
Parem com destruição!
Fazer guerra não é bom,
E só traz desilusão!

Estou sendo parcial?
Também não quero terror
Se existe palestino do mal,
Isso não justifica o horror.

Esse foi o meu protesto,
Me entenda como queira,
Eu sei que é modesto,
E sem eira nem beira.

Só não quero mais morte
Nesse ano que começa,
Para todos boa sorte!
E que a paz aconteça.

02/01/2009

Viajar é preciso...

Primeiro, feliz ano-novo, Tete! Herzlich willkommen in Deutschland! E continue contando histórias como essa! Não quero vc precise passar por aventuras assim todos os dias, mas ri às pampas...

Toda vez que programamos uma viagem aqui em casa, meu pai tem costume de falar: "Viajar é muito cansativo." E eu sempre concordo, mas respondo, à maneira dos portugueses: "Navegar é preciso." Esses dias, em que estou começando a cair na real que vou empreender uma viagem dessa magnitude depois de novamente ter deixado crescerem raízes aqui em terras tupiniquins, tenho pensado se não era melhor ter usado a grana para ir uns dias ao Rio ter guardado o resto: afinal, grana é uma coisa que por mais que guardemos, sempre precisamos dela.

Mas, ao mesmo tempo, que fazer senão viajar? Pelo menos para mim, a maneira de perceber um pouco melhor o que é ser brasileiro foi ir lá fora e me ver num ambiente completamente estranho, ter que explicar para todos que Belo Horizonte é perto do Rio de Janeiro e que no Brasil futebol é, sim, muito popular, mas eu não sou bom. Gente, vcs não imaginam o que é chegar à Alemanha um rapaz de seus 17 anos, indo morar num pequeno Dorf (povoado) onde a principal diversão da moçada era jogar bola, tendo um irmão que é fanático por futebol (conhecedor de muitos jogadores brasileiros que o rapaz não conhecia). Agora pensem que como diria Murphy, tudo pode piorar: a condução para o campo de futebol era feita de bicicleta - e o mancebo de 17 anos NÃO sabia andar de bicicleta. Como eu poderia explicar que não era bom em futebol e que, de quebra, não sabia andar de bike? Quanto ao último aspecto, das duas uma: ou no Brasil, realmente anda-se de cipó, ou o garoto não teve infância...

Meu irmão alemão mesmo me falou, um tempo depois, quando já éramos amigos, que, de fato, ele pensou: PUTZ, que espécie de brasileiro é essa, que veio aqui!? Ele sinceramente achou que ia dar merda, que não íamos nos entender. Mas aí eu pensei (claro que não de uma vez, mas aos poucos): para eles me entenderem, eu tenho que dar um jeito de falar a língua deles. E comecei a conversar, a ler jornal, comprei um dicionário - e a galera começou a entender que brasileiro pode não ser bom em futebol, mas ser bom em alemão. E eu fui aprendendo a gostar cada vez mais daquela língua que me parecera difícil de aprender e daquele povo que, embora eu admirasse de longe, me havia parecido estranho à primeira vista. No final das contas, a galera percebeu que brasileiro pode não ser bom de bola, mas ser bom de papo, bom em história, bom em simpatia (isso era esperado, tá certo).

Falo isso porque meu caso foi uma frustração completa de estereótipos: e isso foi muito importante, porque eu pude perceber que a minha "brasilidade" ia muito além do futebol que eu infelizmente nunca soube jogar, e do samba que eu, embora adore escutar, nunca soube dançar nem tocar. A brasilidade era simplesmente uma coisa minha, um pertencimento a um lugar geográfico-cultural que incidia sobre mim de maneira especial: eu descobri que ser brasileiro é ser a pessoa que eu sou. Parece sem lógica, mas para mim fez um certo sentido.

Não poderia deixar de comentar também a forte mentalidade colonial que temos: galera, não se iludam, somos PERIFERIA. E, como o mosqueteiro Dartagnan tinha de ir para a corte, nós temos de ir para os centros culturais aos quais nossa civilização é ligada. Resta-nos, sem dúvida, um ranço da necessidade dos letrados da Colônia de mandar seus filhos estudar em Coimbra porque aqui a educação era fraquíssima. É até hoje. Mas esse ímpeto de ir para fora pode se traduzir em coisa muito boa, penso eu, porque podemos descobrir que nossa identidade brasileira não se resume a pequenas coisas: percebemos que existe, na periferia que reconhecemos ser, um mundo diverso do de lá. Um mundo em que música, poesia, literatura, língua, comportamento, jeito de ser - têm lógicas próprias, ainda que influenciadas.

A experiência na Alemanha me ajudou muito a entender de forma mais madura o que é ser brasileiro e me mostrou que valia a pena insistir nessa ideia. Conhecer melhor o Brasil, em todos os sentidos, passou a ser uma coisa que me orienta em várias das coisas que faço. Acho que passei a ver com mais respeito aquilo que antes eu achava banal: música, por exemplo. Eu, que nunca toquei um instrumento, não imaginava a falta que iria me fazer ouvir música brasileira. Isso sem falar em coisas do cotidiano que, depois de uma experiência lá fora, passamos a perceber como verdadeiros traços culturais: saudações, despedidas, formas de se relacionar.

A frase inteira dos antigos navegadores, que Fernando Pessoa cita, é: "Navegar é preciso; viver não é preciso." Do meu modo, eu digo que é preciso viajar (navegar) para transcender a mesmice da nossa vida: viver lendo as notícias mais lidas no Brasil não é preciso. A vida se torna muito banal desse jeito: ir além é preciso...

01/01/2009

Existem coisas que o dinheiro nao compra...

FELIZ ANO NOVO!!!

Espero que a passagem de ano tenha sido, para voces, ótima. A minha foi. 2008 foi interminável, mas ao mesmo tempo um bom ano. Que 2009 seja ainda melhor!
Como muitos de voces também vao viajar esse ano, vou estreiar os posts de 2009 com um pequeno (tamanho é algo relativo. A Camilinha que o diga!) relato sobre o dia 26/27 de dezembro de 2008. Lembro-lhes que o teclado daqui nao tem TIU, nem acento circunflexo, nem cedilha. Eu pelo menos fui incapaz de achá-los. Sinto muito...

Adoro viajar. Sempre quando me pergunto pra que diabos eu quero um dia ganhar muito dinheiro na vida, tenho a resposta na ponta da língua: pra conhecer o mundo. Mas também fico pensando: porque os milionários nao o fazem? Existem mil livros sobre a colecao de carros de fulano, sobre as casas do beltrano e sobre as plasticas da mulher do Abílio Barreto (seja esse o nome do dono do Pao de Acucar). Mas nunca vi nenhum livro sobre suas viagens maravilhosas, sobre suas voltas ao mundo... só do Amyr Klink, que pra mim é mais um esquisitao do que um milionario própriamente dito. Enfim, entre os dias 26 e 27 de dezembro, descobri porque...

Primeiramente, a espera. Fila pro check-in, medo de a mala ter ultrapassado o peso máximo permitido (será que alguém consegue viver com apenas 64kg em 6 meses?!), tensao. Eliminada essa etapa, resta-nos a espera até a hora de embarque, já que o tempo que sobra é curto demais para ir a um restaurante ou para fazer coisas realmente significativas, e ao mesmo tempo longo o bastante para que a conversa seja angustiante. Aí fica aquele papo ruim, meio sem graca, amigos aparecem para quebrar o gelo, mas ainda sim o clima é estranho. Isso tudo quando se está acompanhada; quando se está sozinha a atividade de observar as pessoas já ajuda como entretenimento, só que em camera lenta, contrariando Cazuza: o tempo pára, sim. Em seguida, vem a despedida, depois da qual sempre resta um nózinho na garganta. Perdendo os rostos amigos de vista, seguimos por infinitos corredores cheio de dectores de metal, de pessoas nos assistindo, cameras, segurancas... e mais espera! Pior ainda quando nao há cadeiras suficientes para todos. Pessoas impacientes, criancas chorando, quinhentas enoooormes bagagens de mao ocupando cadeiras (elas nao deveriam ser obrigatoriamente despachadas?!?!?!) e encontramos, por sorte, um lugarzinho nada acolhedor no chao, do lado da porta. Ainda que com um pouco de nojo, assentamo-nos, e somos imitados por mais algumas pessoas, a maioria com cara de gringos, que acham a solucao ideal. E agora, o que se segue?! Adivinhem?! Sim, certo: mais espera!
Espera até o pesadelo comecar (siiiim, isso tudo nao foi nem o epílogo!)!
Como se nao bastasse todas as desventuras e desconfortos até entao, o voo atrasou. 1 hora. Sim, todos os outros passageiros de todas as outras companhias aereas, seguindo para todos os outros destinos embarcaram, os lugares agora sobram na sala de embarque, e nada do aviao chegar. Segundo funcionarios da cia aerea, o aviao estava atrasado por problemas operacionais. Peraí, o que diabos sao "problemas operacionais"?! Destarte, a palavra PROBLEMA nao combina muito com a palavra VOO, muito menos com a palavra AVIAO. É senso comum que essas duas palavras nunca devem estar na mesma frase, ou mesmo na mesma página. (eu posso!) Ainda mais se quem as ouve (ou le... ou fala, ou escreve!) sente-se pouco confortável esmagada em uma mini-poltrona durante 9 horas e meia, dentro de uma enooooorme maquina cheia de gente, malas e só deus sabe o que mais, pesadassa, e que ainda por cima voa. Sim, voa! No ar, sob o imenso oceano atlantico. Seja ele formado por lágrimas de Portugal ou nao, nao é ali que eu quero cair...
Pra mim, avioes desafiam a física (nao que eu já tenha algum dia entendido de física, mas de toda forma...). Minha concepcao aristotélica do mundo diz que uma coisa só se move se empurrada por outra coisa, mas aceita como verdade absoluta, como zero conditional, que algo que está no ar vai fatalmente cair. E durante o voo é impossível esquecer isso, principalmente porque os construtores de aeronaves fazem questao de nos lembrar disso durante toda a viagem: esmagado contra nossa cara tem um adesivo escrito "em caso de emergencia, use o assento para flutuar"!!!! A gente entra num aviao, morrendo de medo, e passamos o voo todo em 1m² de espaco sabendo que aquilo ali pode cair e devemos estar preparados para rapidamente arrancar nosso assento e usá-lo para flutuar!!!
Flutuar? Grandes coisas! E se o aviao nao cair n`água?! Duvido que como para-quedas aquilo ali sirva... aliás, duvido que em momentos de emergencia alguem se lembre da petulante frase! Fico imaginando se as aeromocas manteriam a calma em momentos de emergencia, afinal de contas elas sao também seres humanos, né? (Mais ou menos. As da Ibéria estao mais para seres desumanos, sem compaixao pelo sofrimento alheio...). Por isso, ao menor sinal de tremor, meus olhos buscam sempre um comissário de bordo. Se sua cara mostrar sinais de inquietacao, oooops, algo nao vai bem... É por esse motivo também que durante o voo inteiro entre Rio de Janeiro e Madrid eu busquei freneticamente o rosto dos comissários de bordo: nunca voei tao mal assim na vida!!!
Como se nao bastasse o atraso, a turbulencia comecou no solo, durou o voo inteiro e só parou no monstruoso Barajas. Só lá, durante o voo inteiro, o aviso de "atar cintos" foi desligado, tamanha era a indisposicao climática. Pode ser também que o piloto estivesse meio bebado, de ressaca natalina. Aliás, só pode ser essa a explicacao....
Toda hora ouvia-se a voz dele alertando-nos, em espanhol, que mais turbulencia viria e que deveríamos permanecer sentados. Ninguem podia nem tentar dormir, mesmo se fosse o Dalai Lama em pessoa, cheio de serenidade interna, e nao ligasse para os chacoalhoes constantes: o próprio piloto nao permitia! E do meu lado, uma crianca de uns 12 anos fazia a cada 2 minutos as mesmas perguntas para a mae: "nós vamos sobreviver?" ou ainda "já estamos mortos?". E eu sem minha mae do lado, nem podia perguntar coisas semelhantes ou apertar a mao de alguem. Nem chorar eu podia: imagina se a crianca me visse chorando? Eu, uma cavalona dessas, metida, cheia de si, chorando!? O menino entraria em panico, coitado! Tive que manter a pose e só um "putaquepariu" de quando em vez eu soltei. Como diriam os alemaes: "Respekt"! Me portei como uma mocinha! Mas por dentro, eu tremia todinha...
Sobre a comida, melhor nem comentar. Tia, odonto, bandejao: tudo restaurante cinco estrelas perto do que foi servido. Servido nada, empurrado, tendo em vista a delicadeza das aeromocas. E na hora do café? Elas só faltavam nos dar uma bandejada na cara, exigindo que entendessemos instantaneamente que a nossa xícara deveria ser colocada na bandejinha delas. E isso para aqueles que ainda tinham estomago. O meu tinha ficado no Brasil, nao me acompanhou durante o voo.
Cheguei em Madrid bamba, tremula, e ainda tinha que encarar a famooooosa imigracao espanhola. Fui ao banheiro, escovei dentes (sem pasta, claro, pois ela ficou no Rio fazendo companhia a meu estomago, nao pode embarcar), até maquiagem passei. Parecia uma debutante, pronta para me apresentar à sociedade. Mais fila. Chegou minha vez, será que eu seria confinada por 10 horas numa salinha cheia de bolivianos e cubanos?! Nada. A desgracada da mulher da imigracao mal olhou pro meu passaporte e bateu o carimbao lá, sobre o visto mesmo (diaba! Tantas folhinhas em branco, por que justo sobre o visto?!?!?!).
Ufa! Agora só me restava achar o meu portao de embarque pra Alemanha pra esperar por lá o resto das 5 horas que ainda faltavam. (5 horas, porque antes eram 6, mas o aviao atrasou no Rio, lembra?... que agradável...)
Peguei o metro (sim, tem um metro dentro do aeroporto), e sai do terminal A para ir para o J (observacao: lá tem terminais correspondentes a todas as letras do alfabeto!), o que me levou quase uma hora, primeiro até achar o metro (claro que eu me perdi!), depois até achar 2 cariocas também perdidos (claro que eu ia encontrar brasileiros... se é que cariocas o sao!), e finalmente até chegar no bendito terminal, onde eu comi, dei sinal de vida para meus pais e tirei um cochilo. E me preparei psicologicamente para o próximo voo, mais intermináveis 2 horas rumo Düsseldorf by Ibéria.
Mas dessa última etapa, só o que conta é o final:
Para viajar desconfortavelmente e morrer de medo, usei Visa (e deixei meus pais passando fome no Brasil!). Mas ver minha familia alema me esperando com a bandeira do Brasil em pleno inverno europeu, nao tem preco.

30/12/2008

Retrospectiva 2008, parte II (o lado negro da força)

O G1, site de notícias da globo.com, divulgou hoje a lista das 10 notícias mais lidas no ano de 2008. São elas:


10º lugar: Sem medo de "pagar calcinha", estilistas fazem lingerie para ser exibida
(clique nos títulos se quiser ver as notícias!)

9º lugar: Jovens são suspeitos de estuprar garota de 15 anos e colocar vídeo na web.

8º lugar: Veja a cronologia do Caso Isabella.

7º lugar: Ex-homem mais gordo do mundo anuncia "casamento de peso" no México.

6º lugar: Menino invade zôo e alimenta crocodilo com animais raros.
(comentário: essa foi muito boa!)

5º lugar: Veja o gabarito do ENEM 2008

4º lugar: Mãe mata filho de 19 anos em ritual de magia negra em SP.

3º lugar: Polícia vai intimar Dado Dolabella e Luana Piovani por agressão.

2º lugar: Nayara faz homenagem a Eloá no Orkut.

e, finalmente, a notícia mais lida do ano:

1º lugar: Namorada diz à polícia que Marcelo Silva consumiu cocaína.


O que que vocês esperavam?

50 anos da bossa nova? Eleições? Reforma ortográfica? Michael Phelps? Ou quem sabe uma matéria sobre as enchentes?

Pois é. O povo lê, basicamente, sobre notícia ruim e sobre a vida dos outros. A exceção cabe ao Enem, o que nem é tão surpreendente assim, já que a prova teve mais de 4 milhões de inscritos em 2008 e, portanto, tinha muita gente querendo saber o gabarito.

Eu, sinceramente, esperava coisa melhor. Já imaginava que os casos Isabella e Eloá apareceriam entre os mais acessados, mas achava que pelo menos a crise financeira ou o quase-campeonato do Massa iriam figurar entre os interesses da população.

Não que eu queira politizar até as conversas de botequim, mas confesso que um dos meus desejos de fim de ano é que as pessoas aprendam a enxergar além da novela das 8 e, assim, tenham conciência da importância de cada um na formação da ideologia da sociedade e na busca pelo bem estar comum.



Aproveito para desejar a todos os amigos californianos um feliz ano novo, quem sabe, com notícias melhores nos jornais.

23/12/2008

Retrospectiva 2008

A mensagem da Márcia me instigou a postar alguma coisa também. Vou deixar aqui 10 acontecimentos que, a meu ver, marcaram o nosso ano de 2008.

1. Mudança para o campus. Parece que há 40 anos já se falava na mudança para o campus. O fato de ter acontecido durante a nossa graduação é, sem dúvida, especial. Quando todos os economistas de Minas (não precisa dizer que PUC e Ibmec não formam economista, né?) tiverem estudado no campus Pampulha, nós poderemos dizer: "Eu cheguei a estudar na Curitiba!".

2. Diamantina. Sem dúvida foi ótimo! Para as amizades, para (eu) conhecer a cidade, para vermos o Candinho tocando... Diamantina nos confirmou como aspirantes a economistas.

3. Candinho. Em Diamantina, na sala de aula ou em seus shows solo, o Candinho mostrou, penso eu, uma outra cara da faculdade: até hoje, eu nunca tinha visto um professor que dá presente pros alunos e que deixa fazer prova (individual) em dupla.

4. Mariana. Mariana foi o encontro do rock contemporâneo e com a música barroca italiana; dos sinos setecentistas com o heavy metal do Senhor. Foi melodia tocada a um só tempo pelo cavaquinho, pela guitarra elétrica e pelo órgão do século dezoito. Foi encontrar a Europa num grotão mineiro e reencontrar Minas numa sonata de Bach. Foi tomar cerveja com os amigos sem ter que olhar no relógio: a hora era apenas uma badalada ao longe. Foi o encontro da arquitetura setecentista com o pára-choque do GOL. Quando eu estiver triste, tristinho, mais solitário que um paulistano, e receber um telegrama, tenho certeza que vai ser você de Aracaju, ou Mariana... E você me dirá: sinta-se feliz...

5. Flavia Cheng. Não poderia deixar de mencionar esta que se tornou símbolo de algo próximo daquilo que ALVES* (2008) designa como "chata, boba e feia". Ela bem que teve seu valor como ser em que depositamos sempre nossa vingança velada contra todos os males do mundo e principalmente da nossa faculdade. Detalhe: da última vez que a vi, ela almoçava com o cotovelo na mesa e fazia cara ruim (que novidade!) pra comida.
*ALVES, M. A. Aula magna proferida na sala 2060 da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, 2008.

6. Sala 2060. Como eu já comentei com o Bruto, mais do que ajudar na memória de nosso estado, nossa pesquisa nos ajudou a tornarmos a sala 2060 o metro quadrado mais BACANA da Faculdade de Ciências Econômicas. Tá certo que estamos cercados por sagüis, xexs (o plural de xexs é xexs, assim como o de lápis é lápis), pela liga macroeconômica, mas sabemos nos defender. E na hora do intervalo ou na hora que o bicho pega, pode saber que é na 2060 que se lava a roupa suja.

7. Almoços felizes. Foram a válvula de escape - o oásis no meio do deserto: quando provas incontáveis se aproximavam e os capítulos de livros pareciam se reproduzir como que por mitose, havia sempre um almoço feliz amanhã ou depois de amanhã, para que a tarde se tornasse mais agradável, para que resolvêssemos todos os problemas do mundo em alguns goles e garfadas. O encerramento era para ter acontecido com mais gente, mas só fomos André e eu - eu interpreto isso como uma recusa em encerrar. Almoços felizes ainda hão de acontecer, mesmo que seja daqui a 20 anos, quando a gente tenha de combinar com 3 meses de antecedência para encontrar a turma da faculdade.

8. Fefa. Foi mara descobrir, depois de tanto somar, subtrair, derivar e igualar a zero, integrar e diferenciar novamente, que o número que estávamos procurando para resolver nosso problema era: 103,9.

9. Política. Derrota do Quintão e vitória do Obama - acontecimentos diante dos quais nos posicionamos e cujo resultado não nos foi desfavorável. No caso do primeiro, quase todos contribuímos ativamente para sua concretização.

10. Amigos e Antigos. Acho que o Amigos e Antigos foi uma descoberta ótima, que poderia ter sido abordada no tópico sobre almoços felizes, mas queria colocá-lo por último pelo bom clima que sempre houve lá e pelo nome. Acho que, em 2008, já "antigos" conhecidos da faculdade, nossa habilidade de cultivar o bom-humor e o alto-astral - fundamentais para uma boa amizade - foi-se aperfeiçoando ao longo do ano.

Portanto, amigos e antigos, Feliz Natal e excelente 2009!

Mensagem de Natal



Não importa se você é keynesiano,
fisiocrático, clássico ou marxista
Nem se é católico,
logosófico, ateu ou budista.
.
Não importa nem exporta
Não é janela nem porta
A vida é uma rua torta
Me render? Nem morta!
.
Este texto tá ficando horroroso
Porque toda poesia minha é assim
Pra poder rimar vou ter que colocar
Alguma frase terminada com "mim".
.
Eu que achava Tribalistas ruim
Humberto Gessinger nem pensar
Aí eu escrevo uma coisa assim
Eca!!! Vou ter que parar.
.
Essa mensagem de Natal
É um bom indicativo
Do ócio fatal
Da falta do ambiente corporativo
.
Será que alguém leu até aqui?
Nem me atrevo a perguntar...
Olha só como é fácil
Fazer rimas terminadas em "ar"
.
E agora? Com que eu rimo?
Esse poeminha eu termino
Com uma notícia e muita alegria
Semestre que vem, enfim, vou cursar econometria!!!
.
.

04/12/2008

Imagens do dia - Álbum de Fotos - UOL Notícias

Galera... depois do estudo de Internacional, estou me sentindo completamente de férias!
Vamos começar a temporada de férias no blog com esta foto, aliás bem econômica.
Imaginem só! 50 000 000 na mão... HAHAHAHAHAHA.
Ah! Faltam exatamente 17h25min pro mais feliz dos almoços!

15/11/2008

Voltando a falar um pouco de política

Queria continuar um pouco a conversa sobre política aqui em BH, mas não tive a oportunidade - e veio a idéia da música. Entonces, agora aproveito para retomar um pouco a discussão dos partidos e prefeitos, para a qual o Tennn deu a última contribuição.

1. Partidarismo. A questão da aliança não é, em si, o problema. O que me parece um problema é muito mais seu objetivo e a forma pela qual ela foi costurada. O objetivo pareceu claramente ter sido o de alavancar politicamente dois líderes mineiros: Aécio Neves e Fernando Pimentel. A forma como foi construída a aliança também não me agradou, tendo em vista que diversos setores do PT, por exemplo, foram contrários a ela: portanto, não foi aliança que respeitou a democracia de cada partido. Sobre os partidos, então. Claro que não se pode rotular um político simplesmente pelo partido a que pertence, mas isso, em democracias representativas maduras, tem de ter um peso considerável. Um político deve satisfação primordialmente a seus eleitores, mas os projetos e idéias que representa - e a democracia é baseada em idéias - consubstanciam-se no partido do qual faz parte. Não creio que seja impossível que partidos diferentes aliem-se, desde que conservem suas diferenças e aparem as arestas naquilo que for possível uma aproximação. Tomem como exemplo a "Große Koalition" (Grande Coalizão) na Alemanha: os dois principais partidos do país CDU (centro-direita) e SPD (centro-esquerda) viram-se obrigados a se aliar para garantir a governabilidade do país sob a chanceler Angela Merkel (CDU). A aliança parece estar funcionando, mas as pessoas não mudam de partido: deputados não passam de CDU para SPD, nem vice-versa e - o que é mais importante - os eleitores na Alemanha escolhem os partidos, e não os candidatos. Portanto, a eleição entre SPD e CDU foi condicionada pela vontade popular que optou, por meio do voto, por uma composição parlamentar em que uma aliança seria necessária para governar o país. Percebam a diferença: lá, é o povo que determina a aliança, enquanto aqui a aliança foi uma candidatura articulada anteriormente, apresentada ao povo. O problema maior parece estar mesmo no nosso sistema político. Mas vejam outra diferença importante: na Alemanha, o debate de idéias entre CDU e SPD acontece - existem projetos distintos, elaborados há anos, entre os quais a população pode dedicir. Aliança não significa unificação de discurso, nem anulação do debate de projetos. É importante que exista para a democracia a possibilidade de escolha entre projetos.

O contrário disso, vejam bem, é o populismo. Se levarmos às últimas conseqüências o raciocínio de que a pessoa do candidato importa mais que seu partido ou do que seu posicionamento (direita ou esquerda), cairemos num personalismo absurdo. Quem são pessoas apartidárias, que procuram vender-se como "o que importa sou eu" e que têm a carreira política baseada na própria imagem? Lula, por exemplo. Nosso presidente é um exemplo claro de traição às idéias defendidas e ao partidarismo: fala-se abertamente hoje em lulismo, e com razãõ. Quem elegeu Lula elegeu um projeto, que não foi cumprido. E a legitimidade do presidente hoje é garantida com base na sua imagem pessoal. Ainda que haja méritos do governo Lula, não acho que o personalismo seja um deles, pois castra o debate democrático e faz com que o povo não discuta idéias nem projetos, mas, sim, seduza-se pela imagem pessoal dos políticos. Os partidos são a forma de tornar a atuação política algo menos pessoal e mais centrado em projetos, em ideais - trocando em miúdos: em determinadas escolhas, em certas opções. Não que todo tucano tenha de ser contra o aborto, mas trata-se de garantir que o voto não está sujeito ao bel-prazer do político: se ganhar, ele fará o que bem entender? Não, pois há um conjunto de idéias que o orienta. A ausência total dos partidos, o que é? O personalismo, que dependendo das condições de temperatura e pressão, pode chegar a uma ditadura personalista. Vargas? Lembram-se? Apoiar a democracia significa, na minha opinião, apoiar projetos - e não um líder em si. Os líderes podem ser grandes estadistas e operar mudanças consideráveis, mas nunca pelo simples fato de serem carismáticos: se há apenas carisma, temos casos parecidos com os de Lula e Chávez, sendo que no caso da Venezuela a democracia é bem menos sólida do que no Brasil, o que dá margem ainda maior para o personalismo. Trata-se, então, não de submeter um político a um "rótulo", mas de votar em idéias e projetos, e não somente em pessoas.

2. Direita e esquerda. Parece haver muita indefinição no mundo pós-Muro de Berlim no que se refere à linha divisória entre direita e esquerda. Esta linha, que já foi muito clara, tem sua própria existência questionada. De fato, num mundo homogeneamente capitalista, não faz muito sentido dizer que é de esquerda quem se aproxima do socialismo e da revolução (URSS) e de direita quem se aproxima das políticas conservadoras. O socialismo e a revolução não são, hoje, as mesmas alternativas que já foram um dia. Para mim, no entanto, faz sentido a distinção entre direita e esquerda, desde que à luz dos novos tempos. Retomo a origem dessa divisão: na Assembléia Nacional francesa, à esquerda sentavam-se os jacobinos, mais ávidos por mudanças e mais radicais; à direita, tinham assento os girondinos, também revolucionários, mas menos afeitos a mudanças radicais. Para mim, ser de esquerda na política hoje em dia é ter consciência das injustiças existentes e trabalhar para que sejam minoradas, não de forma paliativa, mas de forma consistente e definitiva. É não ignorar que há explorados e exploradores e que é preciso agir de forma rápida, objetiva e efetiva para diminuir a diferença - em termos de eqüidade sócio-econômica principalmente - entre esses dois extremos, caso contrário todos sairão perdendo. Ser de esquerda para mim é, acima de tudo, não ser ingênuo: é não perder a capacidade de fazer crítica e autocrítica. Talvez a própria esquerda discorde da minha concepção de esquerda...

14/11/2008

Voltando à veia artística deste Blog

Música (pós)-keyenesiana

É incerto
Não é ergódico
E o cara: não investe...

Não tenho o que prever
São só motivos
E o que eu demando
Não mudará

Você não quer me dar
Sua grana
Liquidez
Não há mais

Vejo que só tem aqui
Irreais
Expecativas
Anormais

It's uncertain
Not ergodic
'N' the guy: don't invest...

I got nothing to foresee
It's only reasons
And what I demand
Won't change

Sure you don't wanna give me
Your money
Liquidity
There's no more

The only thing here
Unreal
Expectations

Mesmo se segure
Quero que se cure
Desse economista
Que o assessora

É um neoclássico
Veja que palhaçada!
Há tantos caras keynesiaaanos

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this economist
Who advises you

He is a neoclassic!
See how stupid he is
Therea are so many keynesian people in the world

(...)

Deixo o arranjo pro Brutennn...