25/08/2008

Terminou Pequim, começa Diamantina 2008

Oi Tchurminha. Eu e o Bruzzi idealizamos um logotipo para o novo empreendimento desse ano, Diamantina 2008. Seguem as explicações... Montanhas ao fundo, para ilustrar a paisagem mineira, Igreja setecentista, cuja cruz é o T de Diamantina, um diamante, cervejinha, economia, com o triângulo vermelho de Minas, e é isso aí. Um abraço para todos.

24/08/2008

Fim de Pequim 2008

É, galera, agora é hora de lembrar Vanessa da Mata:

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte

(...)

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

Mais uma Olimpíada chega a seu fim, e, tendo em vista que este foi um tema recorrente aqui em nosso blog, pensei em fazer um balanço-repente da participação tupiniquim.

Chegamos em Pequim,
com uma esperança sem fim!
O amarelo da camisa
ia ser ouro no esporte!
Mas tudo que nós não tivemos
foi um pouco de sorte.
No judô, arte marcial,
um desempenho parcial.
Pra ter ouro que é bom,
tem é que dar ippon.
E os brazucas a peidá,
Só sabem dar koká!
Chegou a natação,
pra salvar nossa nação.
Mas putz dá um helps!
Só dava Michael Phelps!
Brasileiro: só amarelão,
feliz com a participação.
Mas chegou a ocasião,
da enorme emoção!
Todos se curvaram,
pro grande imperador:
o mais rápido nadador.
César - caiu do céu,
pulou na água e créu!
Tem que ter disposição,
pra tamanha precisão.
Ouro pro nosso Brasil,
no pódio lágrimas mil.
Lágrima não faltou,
na ginástica, que amarelou:
o Diego cai de bunda,
e a Jade - tristeza profunda.
Chora, chora, chora,
e a Daiane não demora
a pisar do lado de fora.
No ginásio ou na praia,
é sempre a mesma laia.
Jogando com Welsh e May,
o Brasil fala: peidei!
No vôlei de verdade,
faltou aquela habilidade:
as meninas conseguiram,
e os homens sucumbiram.
E veio o atletismo,
com todo seu brilhantismo.
E a Fabiana sem vara!
Faltou vergonha na cara,
dessa China comunista -
só não é mais capitalista,
que a Rússia stalinista.
E a tal da Isinbayeva
só depois que leva
o nosso ouro brasileiro,
abre aquele berreiro.
Essa russa não me engana,
pra ganhar tem que ter gana!
Como a nossa saltadora,
uma mulher voadora,
levou o ouro sem defeito.
Tá alegre ou contrafeito?
Só digo que ficou por um triz,
pro dia nascer feliz...
Pra seleção canarinha:
saiu toda pequenininha.
Na verdade foi por três,
que ficamos dessa vez.
Será que valeu a pena?
Se a alma não é pequena?
Só sei que chega de China,
quero acabar com a sina
de ficar delirante,
por ser só participante!
Londres nos aguarde,
porque sem fazer alarde,
e sem rastro de ódio,
nós subiremos ao pódio!

21/08/2008

Ensaboa, mulata, ensaboa...

Há uma música das antigas, do mestre Cartola, que diz o seguinte:

Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando
Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando
Tô lavando a minha roupa
Lá em casa estão me chamando Dondon
Ensaboa mulata, ensaboa
Ensaboa
Tô ensaboando

É isso que gostaria de cantar pro bando de amarelonas da seleção brasileira feminina. Pelo amor de Deus! A camisa amarela tem sua razão de zer: afinal, é a cor da personalidade dos atletas brasileiros. CHEGA!

20/08/2008

tchau, taxa da FUMP..

O Supremo Tribunal Federal, essa semana, declarou inconstitucional a taxa de matícula cobrada pelas universidades federais. Foram 6 votos a 4, sustentados pelo artigo 206 da Costituição da Repúlica que - oniricamente! - prevê que o Ensino Superior seja público e gratuito para todos.

"Já que não pode ser para todos pelo menos que seja gratuito!", pensei.

Mas será que é esse o raciocínio? Os que defendem a cobrança dizem que a decisão dos ministros vai prejudicar aqueles estudantes que dependem dos subsídios para alimentação, moradia, etc. Já os favoráveis vêem a taxa como um valor irrisório aos bolsos do governo. Para a UFMG, por exemplo, as taxas de matrícula somaram 9 milhões no ano de 2008, o que corresponde a menos de 1% dos gastos do governo federal com publicidade.

Decisão semelhante já tinha sido concedida aos alunos atendidos pelo D.A. de Engenharia aqui da UFMG, no ano de 2004. Além no argumento de incostitucionalidade da cobrança, ainda foi alegada a confusa e incompleta prestação de contas da FUMP. Naquele ano, boa parte dos gastos da instituição não tiveram destino conhecidos. Na época, o juiz que concedeu o benefício entendeu que primeiro a FUMP deveria mostrar como gastava o dinheiro que recebia para depois ter direito de cobrá-lo.

Minha posição é contrária a cobrança. Meio salário mínimo por semestre não me deixa nem mais rica nem mais pobre, mas eu acredito que não é dever da sociedade prover instituições de responsabilidade do governo. Pago a matrícula sem reclamar, porém com a mesma indignação que pago o plano de saúde. Mas entendam que o meu desgosto não é pelo dinheiro em si, e sim pelo significado implícito na cobrança.

Eu sei que só os países mais estruturados economicamente - e talvez nem eles - são capazes de oferecer educação, saúde e tudo mais que a população necessita. Porém, eu vejo a suspensão dessa cobrança como um passo importante de concientização, tanto do próprio governo quanto da sociedade, de que é preciso cada vez mais investimento público em setores básicos, como educação e saúde, e assim parar de delegar à iniciativa privada e às proprias famílias essa obrigação. Espero apenas que essa mudança não surta efeito contrário e acabe limitando ainda mais o acesso de alunos carentes à universidade pública pela falta de incentivos.
Eu espero..

17/08/2008

"A César o que é de César"

(até para instituições não sérias há que dar crédito: essa manchete foi a do Estado de Minas de 17/08/2008)

É, gente. Voltemos a falar um pouco das Olimpíadas de Pequim 2008, após esse final de semana vitórias e derrotas. Hahahahahah: acreditem se quiser, mas a manchete do UOL outro dia era essa mesmo: "Um dia de vitórias e derrotas para o Brasil". Mais óbvio, impossível. Como diria o José Simão: vou pingar meu colírio alucinógeno. E não é outro dia - não me lembro da manchete - a coisa conseguiu piorar: a égua que ia se apresentar machucou. Depois que a ÉGUA machucou, eu quase desisti - isso porque esse dia havia sido um festival de fracassos. Judô, tênis, natação só Phelps... Uma participação que beirava o pífio.

Hoje, a ginástica. Será que a Daiane dos Santos não consegue ganhar nada? Que incompetência! Quatro anos para aquela @&*¨@(#& aprender a não pisar fora do tablado e a mulher repete O MESMO ERRO. Sinceramente, se eu fosse o dono do COB, eu excluía sumariamente do quadro de atletas brasileiros. A Jade Barbosa, coitada - modalidade: choro artístico. (A da Daiane seria o peido olímpico). Pelo amor de Deus! Ela chora porque perde, chora porque ganha - dizem, porque nunca vi a dita cuja ganhar. Se bem que no PAN ela deve ter ganho alguma coisa - e chorou, sem dúvida. E o Diego? Parece que o dele foi mais um acidente, que ele realmente estava determinado a ganhar, mas - o que que foi aquilo? Foi patético, do mesmo jeito. Foi um balde d'água fria, um peido de enxofre.

Bom, mas falemos de coisa boa. O ouro na natação. Foi literalmente a salvação da pátria. O cara - em 50m que nadou - salvou a honra da nação brasileira. Guinchou o Brasil do fundo do abismo do quadro de medalhas e - pasmem! - passamos à frente do Cazaquistão, da Indonésia, da Suécia, da Áustria, do Uzbequistão e de Trinidad e Tobago! HAHAHAHAH. Quanta honra! Mas foi honra mesmo. O mundo parou para ver o Brasil no lugar mais alto do pódio. Duas bandeiras francesas - liberté, fraternité, égalité (vaisefudé) - foram hasteadas junto com a nossa, mas a mais alta era a auriverde flâmula tupiniquim. Os dois franceses empertigados subiram ao pódio, mas, no centro, César. A César, o que é de César - o ouro. E ele chorou, impressionou, foi ovacionado, com muita emoção, paixão. Sem aquela frieza e arrogância. Ganhou porque fez por merecer e salvou a nossa pátria, a nossa honra e o nosso gosto pelos Jogos Olímpicos - quando tudo parecia perdido. E o repórter da rede Globo transmitiu muito bem o espírito quando disse assim: "Hoje o dia foi de Michael Phelps, que ganhou 8 ouros. Mas isso não importa,..." e continuou a frase. Mas a idéia é essa: não estamos NEM LIGANDO pro Phelps nem para quem quer que seja. Ganhou 10 ouros? "Tô cagando e andando (e peidando!) pra ele!" - acho que foi essa a nossa resposta. O mais rápido do mundo é nosso! Eles que se virem pra lá... Mas com o Brasil é assim: de repente, acontece uma jogada celestial que salva a nossa pele - e a partir daí, tudo valeu a pena. E valeram essas Olimpíadas sem graça na China comunista.

Valeu, porque para usar o chavão, "não tem preço". Foi muito bom. Na base da emoção, da garra, da lágrima, arrancamos o OURO. Não foi um ouro, foi O OURO. O primeiro ouro da história da natação brasileira - um feito inigualável, histórico, fantástico. Foi, principalmente, um feito brasileiro, por excelência. Como um gol de placa, aos 33 minutos do segundo tempo. aqui vale encerrar com Jorge Ben. Se a Daiane dos Santos prostitui o "Brasileirinho" nas suas malsucedidas apresentações, o César foi brasileiríssimo, como o "Fio Maravilha":

Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnética agradecida assim cantava
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnetica agradecida assim cantava

Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver

E novamente ele chegou
Com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos
Do segundo tempo

Depois de fazer uma jogada celestial em gol
Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol

Foi um gol de classe onde ele mostrou
Sua malícia e sua raça
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnetica agradecida assim cantava

Fio maravilha,
Nós gostamos de você
Fio maravilha,
Faz mais um pra gente ver

14/08/2008

Bebidas e situações

Numa conversa hoje à tarde, comecei a descrever a situação em que gosto de tomar uma Coca-Cola - sim, em alguns momentos cedo às tentações do imperialismo ianque. Ocorreu-me postar então alguns apontamentos sobre situações que pedem determinadas bebidas ou, de outra forma, quais as situações em que a bebida desce redondo.

Coca-Cola: acompanhando um bom hambúrguer - de preferência de picanha - guarnecido por batatas fritas quentinhas e brilhando com a gordura que acabou de secar. Você vê o queijo derretendo, escorrendo pela parte inferior do pão, e dá aquela mordida. Depois, um gole de Coca com gelo e limão - da garrafa de vidro.

Champanhe: comemorações que envolvem emoções e muitas pessoas. Um casamento, uma formatura, um aniversário marcante, um réveillon - em todas essas ocasiões o champanhe acompanha bem, ajuda a realçar o clima de festa e parece trazer bom agouro.

Café: em diversas situações. De manhã cedo, o café desperta. À tarde, não há como trabalhar sem ele. À noite, na véspera de alguma prova, o café é fundamental. Aliás, minha tese de Livre-Docência será sobre a relação existente entre o teor da cafeína no organismo e o RSG, medido de 0 a 5, dos alunos de economia da FACE. O principal é que o café enseja a conversa, o bate-papo, e é pretexto para tudo: para sair da sala e confabular com alguém, para ver o movimento da faculdade, para escapar de uma situação embaraçosa. "Vou ali pegar café, tá?" - e o bicho pegando, Go desfiando um rosário de observações sobre as Minas Setecentistas. O café é, acima de tudo, um socializador. Existe, é claro, a importância econômica deste produto - mas deixemos para outra oportunidade.

Pinga: quando a cerva está muito cara e você tem muito pouca grana. Ou com um frango com quiabo, em Tiradentes, sentado num banco de tronco de árvore, escutando as galinhas cacarejarem no quintal e curtindo aquela modorra das Minas Gerais interioranas num sábado à tardinha.

Cerveja: fiel companheira do homem - criada por Deus no oitavo dia para fazer-nos companhia na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, por todos os dias de nossas vidas. A cerveja não nos abandona: de todas as bebidas, ela é a que está sempre lá, faça chuva ou faça sol - na praia, em casa, no buteco, no hotel mais elegante do mundo, à beira da piscina, na varanda da fazenda. A cerveja integra os amigos, alegra os amantes, alivia o sofrimento dos desvalidos, agrada os ricos e anima os pobres. Não se trata de uma bebida que procura manter o status quo: pobre e rico, bebendo cerveja, todos bem. Nada disso. A cerveja pode ser também o elixir da revolução. Não se esqueçam de que Marx era alemão. Depois de degolar o último burguês, tomaremos o quê??? Champanhe?? Até parece. Mas o principal é que a cerveja parece nos redimir. Com ela, vemos que a vida pode ser um pouco mais leve, mesmo que nós sejamos tão indignos, em volta de uma mesa cheia de copos lagoinha.

13/08/2008

Olimpíadas

Postando pela primeira vez, um assunto sério, como a Márcia gosta. Depois eu despejo meu estoque de bobagens aqui.

Ah, as Olimpíadas! Que belo espetáculo do esporte mundial. Todas as nações se reúnem em torno do fogo eterno que queima enquanto atletas usam suas últimas gotas de suor para atingirem a glória de uma medalha e de um lugarzinho no pódio.

O lugar não poderia ter sido melhor: China, um país comunista onde a igualdade impera, onde todos os homens são proprietários de sua economia, que cresce a taxas exorbitantes. Repentinamente o mundo mergulha na sua sociedade milenar, berço de culturas, invenções e histórias, e o país fechado abre suas portas para todas as nações amigas - menos o Tibet, é claro. Na linda cerimônia, um show de história, luzes, fogos, música e danças - pena que se esqueceram de contar de seu momento de maior resplendor, a Revolução Cultural de Mao Tsé Tung. Pena que os fogos mostrados na TV eram na verdade gravados. Pena que a linda cantora estava sendo dublada por outra que não apareceu, pois sua beleza não era compatível com a magnitude do Estado Chinês. Pena que nem todos puderam expressar suas opiniões sobre as olímpiadas.

Ainda sobre a China, belos estádios, construções tecnológicas. Mas só mesmo competindo dentro de uma bolha, pra não ter q respirar a poluição Pequinesa. E os hotéis? Um luxo comparável aos petrodólares dos Emirados Árabes, 3 mil dólares por um dia. Mas como é mesmo? Ah sim, a China é comunista.

Atletas brasileiros: nossos grandes exemplos de força, luta, garra, determinação e habilidade. Sim, habilidade, pois fomos o 4º lugar nos Jogos Pan-americanos. E além disso, nossos atletas quebram recordes Sul-americanos!! Nossos nadadores e corredores repetem seus tempos das últimas olimpíadas, incrível! Mas 4 anos depois, repetir o tempo é literalmente parar no tempo e ficar vendo Phelps nadar de braçada.
Pior que a culpa muitas vezes nem é deles. Mas isso já são outros 500.

Enfim, talvez porque o tempo (ou a falta dele) não me permitam ver Hipismos, Arremessos, Canoagens e outras modalidades bizarras como das outras vezes. Ou porque meu espírito crítico (chato) é casa vez maior. Ou porque realmente faz sentido o que eu escrevi.

Mas o fato é que Pequim 2008 não está tendo pra mim a mesma magia das outras Olimpíadas passadas.

Nome do blog dito por várias pessoas

Gente,
Vamos lá, né?? Postar mais facécias aqui no blog...

Imaginemos o nome deste nosso querido espaço democrático-elitista, científico-humorística, capitalista-marxista, candista-moniquinista, keynesiano-monetarista de discussão dito por vários dos personagens à nossa volta.

Camilinha: Café o QUÊ?!?!?!?!?!? Me conta, Bru...

Fefa: Café Califóoornia (entonação Fefa)

Candinho: Capé Calipórnia (rindo)

Lízia: Cafézim! Califórininha! De Moniquinha! (entonação rápida como sempre)

Carla: cafe californiu

Ela Mercedes de Toscano: el Cáfe de la Cafuernia

Godoy: "Produto de cor escura, orginário da Ásia meridional. que por período largo de tempo foi o esteio da economia brasileira, servindo de base para o que Suzigan chama de modelo primário-exportador." + "Estado norte-americano que ocupa posição de liderança econômica naquele país."

Lehrer: Kayf Californ

Mulher do Corredor: ...

MAIS MAIS MAIS!!

12/08/2008

Personagens Ilustres da FACE

Galera, vamos começar as discussões! Acho que algo que muito nos tem inquietado e intrigado é a presença de certas pessoas na nossa faculdade. Pessoas que fazem parte do nosso dia-a-dia, sobre as quais, no meio do turbilhão da vida, acabamos não tendo a oportunidade de pensar. Começarei com a famosa, famigerada e onipresente MULHER DO CORREDOR, na esperança de que vocês dêem continuação a essa nobre discussão.

A MULHER DO CORREDOR
(fr. La femme du couloir, en. The woman of the corridor, al. Die Frau des Gangs)

A mulher do corredor é onipresente. Qualquer caminho que você tome dentro desta faculdade, pode ter certeza que topará com ela em algum momento - ou melhor, que ela estará observando você de algum ponto, ainda que este ponto não esteja ao alcance da sua vista. O andar da mulher do corredor é tranqüilo: ela jamais tem pressa, porque parece ter a situação inteiramente sobre controle. Nada a afeta. Ela mantém sempre sua marcha - contínua e ritmada - por sobre os ladrilhos de cerâmica. Seu andar não faz barulho: ela simplesmente surge, silenciosa - parece que já sabia que eu estaria ali naquele momento.

A aparência física da mulher do corredor é constante. Sempre o mesmo uniforme, sempre as mesmas mãos para trás, sempre os mesmos cabelos presos num coque. Parece ter uma imensurável indiferença com relação ao mundo que a cerca: não que seja uma indiferença má - a mulher do corredor certamente está acima do bem e do mal-, mas de uma indiferença de quem parece ter certeza que boa parte do cabedal de teorias e empirias que se estudam nesta renomada faculdade é uma boa dose de discussão prolixa, de tergiversações incoerentes acerca de assuntos ora específicos demais, ora tão abrangentes que caem numa abstração ininteligível. Com seu andar hirto e silencioso, sua face impassível e terrivelmente atenta, a mulher do corredor zomba da nossa pretensa sabedoria.

De onde teria vindo a mulher do corredor? Não sabemos nada sobre ela. Aliás não pretendo saber. Há pessoas cuja presença é suficiente para termos ciência de que não devemos perguntar coisas indiscretas. A mulher do corredor decerto não revelaria suas origens, mesmo que algum insolente ousasse perguntar. Só resta a nós - reles mortais , portanto, especular. Pela tez mulata, deduzo que a mulher do corredor não deve ser de bandas distantes das nossas - pode ser que tenha vindo d'África. Aliás, algo me diz que seja neta de alguma dessas feiticeiras antigas, dessas catimbozeiras que fumavam cachimbo no terreiro das fazendas e que até o mais cruel senhor de engenho respeitava, receoso daquilo que poderia advir se a contrariasse. A mulher do corredor, então, deve ter aprendido com a avó a arte das cartas, das advinhações, das ervas, tornando-se uma aprendiz dessas ciências ocultas que os homens de razão desprezam mas que sempre suscitam algo entre a curiosidade e a dúvida. Com todas as intempéries da vida, a mulher do corredor foi, então, forçada a vir para a cidade. No entanto, iniciada nos mistérios das ciências da velha avó, não perdeu seu tino - e continua por aí, a nos observar.

Não digo que ela nos persegue, mas em casos de pessoas misteriosas como é a mulher do corredor, prescrevo cuidado. Nunca é demais um olhar simpático - quando temos a sorte de identificar o ponto do qual ela está observando. Não que ela possa se contrariar se formos mal-educados: a mulher do corredor não se contraria. Ela não se deixa afetar por essas frivolidades mundanas. Se você insultá-la, tenho certeza de que continuará andando, passo após passo. Mas não acho que será bom para você que a mulher do corredor imagine que você escorregará naquele resto de areia, subindo a escada do estacionamento, e enfiará o queixo no concreto quente. Não que isso vá acontecer, mas não me agradaria de forma alguma se a mulher do corredor pensasse isso de mim.

Por hoje, é isso. Aguardo mais opiniões sobre a mulher do corredor e sobre essa legião de pessoas pitorescas que nos circundam.

05/08/2008

Bem-vindos! Welcome! Bienvenidos! Bienvenus! Herzlich Willkommen!

Café Califórnia... Mas como assim Califórnia? Não pensem que se trata de "I lost my heart in San Francisco", até porque nós não cairíamos numa dessas. Califórnia, diriam os tribalistas, pode ser e deve ser o que você quiser. Seguindo esse raciocínio, surgiu o Café Califórnia.

A Califórnia talvez possa ser confundida com o longo prazo em economia, em que tudo é ideal. Mas creio que seja algo mais palpável. Para alguns, pode ser um pão com manteiga com uma xícara de café. Para outros, Califórnia é uma praia paradisíaca deserta, com o Oceano Atlântico à frente. Às vezes, é simplesmente achar a chave do carro perdida exatamente do jeito que você a deixou, sem que nenhum cidadão larápio a tenha surrupiado. Califórnia é, acima de tudo, um estado de espírito.

Um estado em que a gente ri, conversa, almoça, passeia, viaja, toma uma, sempre achando que deve haver uma piada- ou mesmo uma besteira - escondida em algum lugar da sala, guardada nos bolsos da galera ou na ponta da língua.

Está franqueada a palavra, companheiros californianos! Sem medo de ser feliz, sem medo de ser Godoy, postemos!