18/09/2008

Explicacao fast-food da adoravel crise atual

Pra quem não tá entendendo nada do que tá acontecendo... Pra quem nem sabia o que é o Lehman Brothers... Pra quem nem sabia que o mundo estava acabando.... Eu encontrei uma ótima explicacao e bem rapidinha.... Tá em ingles mas depois da postagem no Teacher eu me senti autorizada... hehehehe

Someone — most likely a former Lehman employee with a little more time on his hands Chris DesBarres — has written a "30-second version" of what happened to cause the mortgage crisis on Google finance, and it's probably the most lucid one we've seen so far. Although it might actually be more like a 40-second version, since those mortgage-backed securities are a bitch to get your head around no matter how you slice 'em.

People went to traditional banks and mortgage brokers and bought mortgages. All of these mortgages carry different amounts (e.g. $100,000 mortgage vs. a $500,000 mortgage) and different risk levels. The ones that are more likely to default have a higher interest rate, so the bank stands to gain more money...but at a greater risk of the home owner defaulting on the mortgage.

The problem with this is it is very difficult to balance your risk-reward ratio. So they created an investment vehicle called a mortgage-backed security (MBS). This is refered to as a "derivative" because it is based off of the mortgage. The way it works is the banks chopped up all these different mortgages into different securities that were worth different amounts and different risk levels. They then sold these to other banks and investments firms. The firms who bought these MBS then received a payment based off of the mortgages. For the banks selling MBS, it helped them pool risk and generate capital, and for the firms who bought the MBS, it provided a source of cash flow with what was thought to be a very safe,secure underlying commodity: real estate.
Since real estate was so "safe," these banks used huge amounts of leverage (borrowed money to buy the securities) because they didn't think they were that risky. Some firms, like Lehman, were leveraged 30:1, meaning that for every $30 they borrowed, they had $1 of underlying assets. That would be like you making $1000 a year but taking out a loan of $30,000.
While all this is going on, people are buying up adjustable interest rate mortgages (ARMs). They offer a cheap introductory rate, but then skyrocket. So all of a sudden, all these people discovered they couldn't make their monthly payments. The default rate shot through the roof. The firms that had purchased MBS did so based on certain calculations of default. In other words, X number of people could default on their mortgages, but they could still make a profit andhave a positive cash-flow. However, when the default rate shot up, this threw all of their calculations off.

Now the firms faced a real problem. They had HUGE amounts of debt on their balance sheets, and the assets that were supposed to balance that debt were becoming worth less and less because of the rising default rate and the drop in housing prices. These are the "write-downs" that you hear about. The firms had to pay interest on that debt, but they did not have the corresponding cash flow to be able to pay the debt. Lehman, for example, had $5.4B of debt obligations last quarter, but only had $2.3B in income.

When you can't pay your debt obligations, that's called being insolvent. Many people think that bankruptcy is caused by having more liabilities than assets, but that's not true. It's caused when you can't make good on your debts, so the repo man comes and claims your assets in order to make up for it. When that happens, you have to file for bankruptcy in order to make sure that people get paid in the correct order because otherwise different creditors are going to be suing you to make sure they get what you owe them.

So that's where we are now with Lehman. They couldn't pay their debts, so they had to file for bankruptcy.

16/09/2008

A primeira crise a gente nunca esquece...

O médico nunca esquece a primeira cirurgia, o engenheiro nunca esquece a primeira obra, o dentista nunca esquece a primeira obturação (hahahahah, q nojo!) , o economista ñunca esquece a primeira grande crise! O jornal inglês "The Guardian" fez uma série de entrevistas com pessoas de esquerda na Inglaterra sobre o que elas achavam desta crise. Achei bem razoável o que o ex-prefeito de Londres falou: para quem não o conhece, ele governou Londres por bastante tempo (2000-2008), é um político reconhecido na Inglaterra, do Partido Trabalhista. Para o deleite econômico/acadêmico da Camlinha, o texto é em inglês...

tirado de: http://www.guardian.co.uk/business/2008/sep/17/recession.labour

Ken Livingstone

Former Mayor of London

Sadly, I don't think this will be the end of capitalism. But there is going to have to be a return to a much, much more interventionist state. As a system for the distribution and exchange of goods, you can't beat the market. But the mistake a lot of politicians have made is to think that because the market was good at that, it could be good at everything: it could train workers, create infrastructure, protect the environment, regulate itself. Quite obviously, it can't.

So the real issue is, what sort of international structures do we need to ensure this never happens again? Thatcher and Reagan deregulated massively and let the financial markets do as they liked - and they've turned into one bloody great big rip-off. The good news is, there'll now be a realisation - even George Bush sees this now - that we need international regulatory mechanisms that will ensure, for example, that these people and operations actually pay tax. There'll be a realisation in Britain that while it's certainly useful to host a world financial centre, it has to rest on a solid, genuinely productive real economy. In China now they make things; we've decided we're not interested in that.

15/09/2008

Falou Serra...

Bom, galera, hoje, véspera da prova de Micro, um temporal armando aqui bem à minha janela e eu acabei de chegar à seguinte conclusão aqui com meu colega Bruten de sala: as pessoas são péssimas. Nesse contexto, lembrei que nosso amigo Serra já deve estar pegando o avião neste extato momento. Aí pensei: há muito tempo não posto no blog, etc... Achei que valeria a pena deixar algums coisas registradas sobre esse cara ímpar que passou por esta faculdade e pela nossa turma. Espero que não fique parecendo depoimento de Orkut, porque isso é brega, mui brega.

Minha primeira recordação do Serra é na clássica palestra de abertura do curso, quando Lizinha, com sua voz esganiçada e neoclássica, começou a apresentar as disciplinas que nos conduziriam ao esplendor do conhecimento econômico. De repente, uma mão levantada: alguém pedia a palavra. Depois das apresentações do PET e da UCJ, eu não sabia o que alguém teria a acrescentar num momento como esse. "Se eu soubesse, naquele dia o que sei agora", eu não seria esse ser que chora e teria aberto minha torneira de asneiras contra uma série de aspectos... Heheheheh. Mas isso não vem ao caso: o fato é que éramos todos os mais absolutos ignorantes em matéria de Ciência Econômica. E eis que o nobre cavalheiro que pedia a palavra diz: "Nós vamos estudar os BRICS?" Um clima tenso de vergonha alheia se espalhou pela sala. E os alunos do Santo Antônio já sabiam com quem estavam lidando... Mas eu, como não pertencia à seleta casta deste excelente educandário, simplesmente me surpreendi com tamanha inconveniência.

Essa foi a primeira impressão. Mas a primeira impressão não é a que fica. Tudo pode piorar... Tivemos no dia seguinte uma aula de História Econômica Geral com o Prof. Alexandre, na qual ele indicou as duas primeiras referências bibliográficas a que tivemos acesso, ainda naquele bom e velho prédio da rua Curitiba. Salvo engano - corrijam-me se estiver errado - devíamos ler um texto do Carlos Lessa, uma palestra proferida na Unicamp, e um do Maurice Dobb, tirado do livro A Evolução do Capitalismo (o primeiro capítulo). Foi difícil para nós o texto, acostumados que estávemos com aqueles livros de história com gravuras... Não deixam de ser interessantes recordações assim meio nostálgicas ainda que isso só tenha ocorrido há um ano, mas voltemos ao nosso assunto. O Serra me apareceu na biblioteca Prof. Emílio Guimarães Moura, esbaforido e pão-duro como sempre, catando a todo custo o livro para que não tivesse, é claro, de tirar xerox do texto. Eu, procurando o livro, deparei com sua edição em inglês, que tive a idéia de pegar, já que as brasileiras estavam todas emprestadas. Indo para a fila do balcão de empréstimo, fui abordado pelo Serra: "Esse aí é o livro?" "Sim, em inglês." "Você vai ler em inglês?" Com aquele ar de eu-é-que-quero-ler-em-inglês. Respondi: "Ah, só tinha ele, vou ver se leio em inglês." Serra: "Eu QUERO ler em inglês, você não quer levar o meu não?", (ele estava com um em português nas mãos). Pensei: "Nu, esse aí é gosta de mostrar que é bom." E levei o livro comigo, depois de desconversar um pouco, que eu queria treinar um pouco inglês, etc e tal. Na verdade, eu não queria era entregar o jogo: afinal, um Luiz Felipe (ok, Serra, o seu é com I) vindo assim todo todo pra cima de mim... Fiquei, no mínimo, ressabiado...

Mas as coisas foram progredindo. Pouco a pouco, fui vendo que o Serra era algo parecido com um clone: ele tinha ido para a Alemanha, ele falava alemão, ele falava inglês, ele estudava economia. Éramos muito diferentes, mas ele parecia ter feito "tudo o que eu queria fazer!" Que saco... Não sei exatamente por que, mas por certas cargas d'água eu - e acho que aqui falo por vários deste blog e da nossa sala - fui passando a conviver mais com o Serra e ver que na verdade havia um cara legal por trás de toda a aparente empáfia. Na verdade, é porque ele era bom mesmo.

E nas aulas do Marco Flávio? Nossa, eu no lugar do McFlave já teria mandado o Serra escrever dez vezes no quadro: "sou neoliberal e devo rever minhas posições, porque o neoliberalismo está morto", no melhor estilo Maria da Conceição Tavares. Todavia, como diria o governador Milton Campos - a cargo da decrépita que está tendo muita dificuldade em saber se ele entra ou não (piada interna dicionário histórico, desculpem a digressão) - como diria o referido governador, em Minas, brigam as idéias e não os homens. Acho que essa idéia foi muito cara para que Serra e eu, como bons mineiros, eu da capital e ele da província (de Ouro Branco para Chicago, que upgrade), nos entendêssemos bem. Ainda que ele seja, na verdade, do enclave liberal no Texas... Vocês acreditam que, hoje, quando nós ligamos para ele para despedir e eu não perdi a oportunidade de zoar a escala em Houston (que ele ia fazer mas depois naum fez), ele me disse: "(...) um enclave liberal no Texas". Acho que minha emoção de "quem vê o amigo partir" me impediu de tentar compreender a besteira que ele falava. Isso porque, em se tratando de Texas, é besteira...

Como eu ia dizendo, as coisas foram caminhando, e aulas pra cá aulas pra lá, o Serra viajou conosco para Brasília (Amun), onde ele - é claro - foi o melhor dos melhores: ficava estudando "horrores", como diria a Camilinha, enquanto eu, Luiz Ângelo e a última fazíamos TOUR pelo eixo monumental. Ele ganhou o apelido de Ecofin e levantou ainda mais a delegação de RI da PUC Minas, renegando a sua "querida" UFMG. E já estava ficando amigo nosso, mesmo que sempre daquele jeito esbaforido, louco, sovina, chato, do qual sem dúvida sentiremos muita saudade.

E foi assim, sempre ao som de muita discussão, sempre com muitas surpresas (agradáveis ou não), que fomos nos aproximando do Serra, mas ao mesmo tempo em que fomos nos aproximando ele foi se acercando do poderoso império do norte, que suga tudo que de melhor temos, isto é, nossas cabeças. Permitam-me, galera, mas isso é MIGRAÇÃO DE CÉREBROS -(imaginem a Conceição Tavares falando) - isso é, basicamente, alguém - que CERTAMENTE poderia fazer muito pelo desenvolvimento, senão do país como um todo, ao menos da Ciência Econômica brasileira - começar a trabalhar para os interesses do capitalismo norte-americano!! Heheheheheh. Eu tinha que falar isso: e não se pode dizer que não haja algo de verdade nas minhas entusiasmadas declarações antiimperialistas. Mas o Serra sempre me forçou, como Hamlet a Horácio, a ver que há bem mais coisa entre burguesia e proletariado do que o que pode pensar a minha vã filosofia... A avidez pelo conhecimento, pelo conhecimento que nos torne capaz de ter alguma efetividade naquilo que fazemos, talvez não consiga se enquadrar em nenhum dos dois extremos. "Põe quanto és / No mínimo que fazes.", Fernando Pessoa recomenda. Há quem aceite a recomendação... Acho que não precisamos desejar tudo de bom, porque o Serra continuará aceitando isso.

Foram muitas discussões, muitas bebedeiras ótimas, até com minha mãe o Serra já discutiu mundos e fundos, sempre comigo alfinetando ao lado, com as minhas tiradas sarcásticas, que ele ficava querendo saber se eram de brincadeira ou sérias. Aí é minha vez de devolver: há mais coisa entre a brincadeira e a seriedade do que o que pode pensar a nossa vã filosofia. Hehehheheheh. Recentemente, descobrimos o Freud - talvez um dos únicos pontos em que Serra e eu concordamos sem ressalvas: o Freud é fantástico, com ponto especial pro narguilé de cogumelo podre, heheheheh. Não o Sigmund - sobre esse ele já me importunou até com teorias sobre o sono, e o diabo a quatro - mas o Freud lá do buraco perto do Belvedere, aonde - espero - teremos o prazer de ir juntos mesmo que Chicago o convença de certos absurdos que não conseguirei remover de sua cabeça...

04/09/2008

Provérbio árabe sobre a amizade




"Que as pulgas de mil camelos infestem o meio das pernas da pessoa que pense em arruinar o seu dia, e que os braços dessa pessoa sejam curtos demais pra se coçar."

E que assim seja!