Queria continuar um pouco a conversa sobre política aqui em BH, mas não tive a oportunidade - e veio a idéia da música. Entonces, agora aproveito para retomar um pouco a discussão dos partidos e prefeitos, para a qual o Tennn deu a última contribuição.
1. Partidarismo. A questão da aliança não é, em si, o problema. O que me parece um problema é muito mais seu objetivo e a forma pela qual ela foi costurada. O objetivo pareceu claramente ter sido o de alavancar politicamente dois líderes mineiros: Aécio Neves e Fernando Pimentel. A forma como foi construída a aliança também não me agradou, tendo em vista que diversos setores do PT, por exemplo, foram contrários a ela: portanto, não foi aliança que respeitou a democracia de cada partido. Sobre os partidos, então. Claro que não se pode rotular um político simplesmente pelo partido a que pertence, mas isso, em democracias representativas maduras, tem de ter um peso considerável. Um político deve satisfação primordialmente a seus eleitores, mas os projetos e idéias que representa - e a democracia é baseada em idéias - consubstanciam-se no partido do qual faz parte. Não creio que seja impossível que partidos diferentes aliem-se, desde que conservem suas diferenças e aparem as arestas naquilo que for possível uma aproximação. Tomem como exemplo a "Große Koalition" (Grande Coalizão) na Alemanha: os dois principais partidos do país CDU (centro-direita) e SPD (centro-esquerda) viram-se obrigados a se aliar para garantir a governabilidade do país sob a chanceler Angela Merkel (CDU). A aliança parece estar funcionando, mas as pessoas não mudam de partido: deputados não passam de CDU para SPD, nem vice-versa e - o que é mais importante - os eleitores na Alemanha escolhem os partidos, e não os candidatos. Portanto, a eleição entre SPD e CDU foi condicionada pela vontade popular que optou, por meio do voto, por uma composição parlamentar em que uma aliança seria necessária para governar o país. Percebam a diferença: lá, é o povo que determina a aliança, enquanto aqui a aliança foi uma candidatura articulada anteriormente, apresentada ao povo. O problema maior parece estar mesmo no nosso sistema político. Mas vejam outra diferença importante: na Alemanha, o debate de idéias entre CDU e SPD acontece - existem projetos distintos, elaborados há anos, entre os quais a população pode dedicir. Aliança não significa unificação de discurso, nem anulação do debate de projetos. É importante que exista para a democracia a possibilidade de escolha entre projetos.
O contrário disso, vejam bem, é o populismo. Se levarmos às últimas conseqüências o raciocínio de que a pessoa do candidato importa mais que seu partido ou do que seu posicionamento (direita ou esquerda), cairemos num personalismo absurdo. Quem são pessoas apartidárias, que procuram vender-se como "o que importa sou eu" e que têm a carreira política baseada na própria imagem? Lula, por exemplo. Nosso presidente é um exemplo claro de traição às idéias defendidas e ao partidarismo: fala-se abertamente hoje em lulismo, e com razãõ. Quem elegeu Lula elegeu um projeto, que não foi cumprido. E a legitimidade do presidente hoje é garantida com base na sua imagem pessoal. Ainda que haja méritos do governo Lula, não acho que o personalismo seja um deles, pois castra o debate democrático e faz com que o povo não discuta idéias nem projetos, mas, sim, seduza-se pela imagem pessoal dos políticos. Os partidos são a forma de tornar a atuação política algo menos pessoal e mais centrado em projetos, em ideais - trocando em miúdos: em determinadas escolhas, em certas opções. Não que todo tucano tenha de ser contra o aborto, mas trata-se de garantir que o voto não está sujeito ao bel-prazer do político: se ganhar, ele fará o que bem entender? Não, pois há um conjunto de idéias que o orienta. A ausência total dos partidos, o que é? O personalismo, que dependendo das condições de temperatura e pressão, pode chegar a uma ditadura personalista. Vargas? Lembram-se? Apoiar a democracia significa, na minha opinião, apoiar projetos - e não um líder em si. Os líderes podem ser grandes estadistas e operar mudanças consideráveis, mas nunca pelo simples fato de serem carismáticos: se há apenas carisma, temos casos parecidos com os de Lula e Chávez, sendo que no caso da Venezuela a democracia é bem menos sólida do que no Brasil, o que dá margem ainda maior para o personalismo. Trata-se, então, não de submeter um político a um "rótulo", mas de votar em idéias e projetos, e não somente em pessoas.
2. Direita e esquerda. Parece haver muita indefinição no mundo pós-Muro de Berlim no que se refere à linha divisória entre direita e esquerda. Esta linha, que já foi muito clara, tem sua própria existência questionada. De fato, num mundo homogeneamente capitalista, não faz muito sentido dizer que é de esquerda quem se aproxima do socialismo e da revolução (URSS) e de direita quem se aproxima das políticas conservadoras. O socialismo e a revolução não são, hoje, as mesmas alternativas que já foram um dia. Para mim, no entanto, faz sentido a distinção entre direita e esquerda, desde que à luz dos novos tempos. Retomo a origem dessa divisão: na Assembléia Nacional francesa, à esquerda sentavam-se os jacobinos, mais ávidos por mudanças e mais radicais; à direita, tinham assento os girondinos, também revolucionários, mas menos afeitos a mudanças radicais. Para mim, ser de esquerda na política hoje em dia é ter consciência das injustiças existentes e trabalhar para que sejam minoradas, não de forma paliativa, mas de forma consistente e definitiva. É não ignorar que há explorados e exploradores e que é preciso agir de forma rápida, objetiva e efetiva para diminuir a diferença - em termos de eqüidade sócio-econômica principalmente - entre esses dois extremos, caso contrário todos sairão perdendo. Ser de esquerda para mim é, acima de tudo, não ser ingênuo: é não perder a capacidade de fazer crítica e autocrítica. Talvez a própria esquerda discorde da minha concepção de esquerda...
15/11/2008
14/11/2008
Voltando à veia artística deste Blog
Música (pós)-keyenesiana
É incerto
Não é ergódico
E o cara: não investe...
Não tenho o que prever
São só motivos
E o que eu demando
Não mudará
Você não quer me dar
Sua grana
Liquidez
Não há mais
Vejo que só tem aqui
Irreais
Expecativas
Anormais
It's uncertain
Not ergodic
'N' the guy: don't invest...
I got nothing to foresee
It's only reasons
And what I demand
Won't change
Sure you don't wanna give me
Your money
Liquidity
There's no more
The only thing here
Unreal
Expectations
Mesmo se segure
Quero que se cure
Desse economista
Que o assessora
É um neoclássico
Veja que palhaçada!
Há tantos caras keynesiaaanos
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this economist
Who advises you
He is a neoclassic!
See how stupid he is
Therea are so many keynesian people in the world
(...)
Deixo o arranjo pro Brutennn...
É incerto
Não é ergódico
E o cara: não investe...
Não tenho o que prever
São só motivos
E o que eu demando
Não mudará
Você não quer me dar
Sua grana
Liquidez
Não há mais
Vejo que só tem aqui
Irreais
Expecativas
Anormais
It's uncertain
Not ergodic
'N' the guy: don't invest...
I got nothing to foresee
It's only reasons
And what I demand
Won't change
Sure you don't wanna give me
Your money
Liquidity
There's no more
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Unreal
Expectations
Mesmo se segure
Quero que se cure
Desse economista
Que o assessora
É um neoclássico
Veja que palhaçada!
Há tantos caras keynesiaaanos
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this economist
Who advises you
He is a neoclassic!
See how stupid he is
Therea are so many keynesian people in the world
(...)
Deixo o arranjo pro Brutennn...
07/11/2008
Comentários gerais
No intuito de bombar o blog - e tendo em vista que há muito tempo não posto - resolvi dar o ar de minha graça. Tecerei - desculpem o uso de expressões godoísticas, é o convívío - comentários a respeito dos últimos posts, acrescentando quelques choses (em homenagem ao Lér).
1- Definitivamente o café - e principalmente seu conceito de califórnia - perderam um certo espaço. Na minha opinião isso se deve ao povoamento excessivo da nossa humilde 2060, com Tufs, Nóias e amigos de nóias, que tiram do espaço parte de sua magia anterior, parte dos momentos de porosidade que ele carregava, entre outros. Mas acho que dentro de nós o conceito continua forte, e se manifesta em almoços felizes e comentários não para criticar, mas sim para zuar.
2- Política 1: Obama ganhou, e a Klu Klux Klan não perdeu a oportunidade de mostrar sua inteligência, tolerância e apoio aos negros: Abre aspas "Obama se tornou o primeiro presidente mulato dos Estados Unidos. Eu sei que vocês estão ouvindo que ele é o primeiro presidente negro, mas isso não é verdade", afirmou Thomas Robb, em uma mensagem no site do grupo. "Ele não cresceu num ambiente negro, ele cresceu com sua mãe [uma americana branca], porque seu pai [um queniano negro] fez o que é muito comum entre os homens negros (...) os abandonou". Ele continua com sabedoria e polidez: "Obama só viu seu pai negro uma vez, quando ele tinha dez anos. Essa eleição está nos chocando? claro que não. Nós temos dito que se as pessoas brancas não começarem a se unir, é exatamente isso o que acontece", acrescenta a nota. "Cada vez que a televisão mostrar uma imagem de Obama, isso nos lembrará que nosso povo perdeu poder nesse país." Para finalizar, um exemplo da percepção da democracia: Para ele, a votação do última terça-feira (4) não foi uma disputa entre liberais e conservadores, mas “uma guerra racial e cultural, travada contra o povo branco”. Ponto Final
3- Mais política. Em relação ao prefeito de BH.
Eu acho que a aliança foi antidemocrática, uma vez que se juntaram dois políticos de grande aprovação popular tentando eleger um desconhecido na marra. No entanto, não vejo problema nenhum entre uma aliança (teoricamente) entre a esquerda e a direita. Primeiro porque não acho que o PT e o PSDB sejam respectivamente, esquerda e direita. Segundo porque acho ridículo rotular um partido ou um político somente pelo que sua legenda representaria. Acho que deve haver muitos tucanos com muito mais percepção social do que muitos petistas, e muitos petistas muito mais direitistas - no sentido de nem ligar pro povo - do que tucanos. Na verdade acho que o único partido de esquerda no Brasil se chama PSOL, porque os outros ou se desviaram do foco inicial, ou vivem fora da realidade, defendendo coisas totalmente impraticáveis.
Bom, fora isso, acho que o Márcio tem potencial pra ser um bom prefeito, ainda que ele não tenha experiência política. A assessoria dele vai ser, no mínimo, tão boa quanto a do Pimentel, que aparentemente fez um bom governo. E acho que ele realmente está interessado em construir o metrô de BH, que ao meu ver é o principal desafio.
Bom é isso que eu tinha a dizer. Um abraço a todos.
1- Definitivamente o café - e principalmente seu conceito de califórnia - perderam um certo espaço. Na minha opinião isso se deve ao povoamento excessivo da nossa humilde 2060, com Tufs, Nóias e amigos de nóias, que tiram do espaço parte de sua magia anterior, parte dos momentos de porosidade que ele carregava, entre outros. Mas acho que dentro de nós o conceito continua forte, e se manifesta em almoços felizes e comentários não para criticar, mas sim para zuar.
2- Política 1: Obama ganhou, e a Klu Klux Klan não perdeu a oportunidade de mostrar sua inteligência, tolerância e apoio aos negros: Abre aspas "Obama se tornou o primeiro presidente mulato dos Estados Unidos. Eu sei que vocês estão ouvindo que ele é o primeiro presidente negro, mas isso não é verdade", afirmou Thomas Robb, em uma mensagem no site do grupo. "Ele não cresceu num ambiente negro, ele cresceu com sua mãe [uma americana branca], porque seu pai [um queniano negro] fez o que é muito comum entre os homens negros (...) os abandonou". Ele continua com sabedoria e polidez: "Obama só viu seu pai negro uma vez, quando ele tinha dez anos. Essa eleição está nos chocando? claro que não. Nós temos dito que se as pessoas brancas não começarem a se unir, é exatamente isso o que acontece", acrescenta a nota. "Cada vez que a televisão mostrar uma imagem de Obama, isso nos lembrará que nosso povo perdeu poder nesse país." Para finalizar, um exemplo da percepção da democracia: Para ele, a votação do última terça-feira (4) não foi uma disputa entre liberais e conservadores, mas “uma guerra racial e cultural, travada contra o povo branco”. Ponto Final
3- Mais política. Em relação ao prefeito de BH.
Eu acho que a aliança foi antidemocrática, uma vez que se juntaram dois políticos de grande aprovação popular tentando eleger um desconhecido na marra. No entanto, não vejo problema nenhum entre uma aliança (teoricamente) entre a esquerda e a direita. Primeiro porque não acho que o PT e o PSDB sejam respectivamente, esquerda e direita. Segundo porque acho ridículo rotular um partido ou um político somente pelo que sua legenda representaria. Acho que deve haver muitos tucanos com muito mais percepção social do que muitos petistas, e muitos petistas muito mais direitistas - no sentido de nem ligar pro povo - do que tucanos. Na verdade acho que o único partido de esquerda no Brasil se chama PSOL, porque os outros ou se desviaram do foco inicial, ou vivem fora da realidade, defendendo coisas totalmente impraticáveis.
Bom, fora isso, acho que o Márcio tem potencial pra ser um bom prefeito, ainda que ele não tenha experiência política. A assessoria dele vai ser, no mínimo, tão boa quanto a do Pimentel, que aparentemente fez um bom governo. E acho que ele realmente está interessado em construir o metrô de BH, que ao meu ver é o principal desafio.
Bom é isso que eu tinha a dizer. Um abraço a todos.
05/11/2008
Pérolas da Internet - comentário I
Para dar ibope ao blog, vou postar meu comentário como post, ainda que isso caracterize uma certa picaretagem.
Bom, meu primeiro comentário vai para aquilo que considerei a melhor parte do post da Sci, a saber, o PS. Apesar dos termos utlizados referirem-se ao nosso cotidiano dentro da Face, o PS foi de uma simplicidade e de uma pertinência incríveis, porque rompe com o paradigma tão arraigado na nossa sociedade de que devemos ser politicamente corretos. Não se pode mais dizer que o vestido de uma mulher é um pretinho básico, há que dizer que é "afro-descendentezinho" básico. Gente, baiano sempre foi lerdo, mineiro sempre comeu quieto, português sempre foi burro, loira sempre foi tapada, mulher no volante sempre foi perigo constante - são os estereótipos, preconceitos e gozações que a sociedade cria. Uns grupos fazem piada dos outros, riem uns dos outros e a coisa é saudável enquanto está por aí. Católico fala de crente, que quer converter o ateu, que acha que Deus é uma ilusão, e por aí vai. Cabe a nós, pessoas racionais, poços de classe (hihihihihihihi), não pautar nossas decisões éticas (profissionais, afetivas, etc.) por esse tipo de estereótipo ou preconceito. Deixar de contratar uma pessoa porque ela é negra, menosprezando sua competência, ignorando seu jeito pessoal de ser e julgando-a apenas pela cor - isso é uma atitude racista, reprovável e, por que não dizer, burra. Mas parar de fazer piada, deixar de discutir política, deixar de falar de religão por medo de ofender os outros: sinceramente, como diria Skank, "sem perder a cabeça, sem perder a amizade". Claro que o que eu estou dizendo exige das pessoas maturidade e responsabilidade.
Enfim, valeu, Sci, pelo discreto apoio à nossa máxima: "Não podemos criticar, mas podemos zoar!".
Bom, meu primeiro comentário vai para aquilo que considerei a melhor parte do post da Sci, a saber, o PS. Apesar dos termos utlizados referirem-se ao nosso cotidiano dentro da Face, o PS foi de uma simplicidade e de uma pertinência incríveis, porque rompe com o paradigma tão arraigado na nossa sociedade de que devemos ser politicamente corretos. Não se pode mais dizer que o vestido de uma mulher é um pretinho básico, há que dizer que é "afro-descendentezinho" básico. Gente, baiano sempre foi lerdo, mineiro sempre comeu quieto, português sempre foi burro, loira sempre foi tapada, mulher no volante sempre foi perigo constante - são os estereótipos, preconceitos e gozações que a sociedade cria. Uns grupos fazem piada dos outros, riem uns dos outros e a coisa é saudável enquanto está por aí. Católico fala de crente, que quer converter o ateu, que acha que Deus é uma ilusão, e por aí vai. Cabe a nós, pessoas racionais, poços de classe (hihihihihihihi), não pautar nossas decisões éticas (profissionais, afetivas, etc.) por esse tipo de estereótipo ou preconceito. Deixar de contratar uma pessoa porque ela é negra, menosprezando sua competência, ignorando seu jeito pessoal de ser e julgando-a apenas pela cor - isso é uma atitude racista, reprovável e, por que não dizer, burra. Mas parar de fazer piada, deixar de discutir política, deixar de falar de religão por medo de ofender os outros: sinceramente, como diria Skank, "sem perder a cabeça, sem perder a amizade". Claro que o que eu estou dizendo exige das pessoas maturidade e responsabilidade.
Enfim, valeu, Sci, pelo discreto apoio à nossa máxima: "Não podemos criticar, mas podemos zoar!".
pérolas da internet (parte I)
Considero-me especialista em inutilidades de internet. Não sei se isso decorre da minha extraordinária capacidade de mal-alocar o meu tempo disponível ou se, simplesmente, esse tipo de besteira me persegue. Ócio e exercícios ao humor a parte, vamos ao que interessa:
Minha idéia é compartilhar com vocês, caros leitores do Café Califórnia, alguns desses meus achados e tentar transformá-los em um ponto de discussão pertinente.
E o assunto de hoje: "Cada povo tem sua cultura, cada qual a sua loucura"
Olhem só esse vídeo. Depois da "menina pastora" agora é a vez do "bebê pastor"!!
http://www.youtube.com/watch?v=6BmeF4xWC14
Impressionante como a cultura evangélica (seja lá qual a vertente) é capaz de conquistar adeptos pela "lavagem celebral". E as crianças, sem ainda terem adquirido nenhum discernimento, acabam por absorver tudo o que lhes é apresentado. Até que ponto isso é correto? Não seria mais justo dar a essas crianças a opção de escolha quanto à religião?
Mais impressionante ainda é a tradição indígena de enterrar vivas as crianças que nascem com alguma deficiência, retardo mental ou que sejam fruto de relação extra-conjugal. Segundo a cultura de algumas tribos, o nascimento de uma criança "diferente" representa um mal presságio e a solução que devolveria o bem-estar à comunidade é enterrar viva a criança. O vídeo a seguir é o trailler do filme "Hakani - a história de uma sobrevivente" e conta exatamente uma dessas história de infanticídio. O filme contém cenas de nudez e violência e, portanto, não recomendo assistirem em qualquer lugar.
http://www.youtube.com/watch?v=TXkFWYKFAqM
Mas a questão é a seguinte: O "homem branco" tem o direito de tomar a guarda dessas crianças que serão enterradas vivas? Até que ponto nós temos esse direito de interfrir na cultura dos índios? Se acreditamos que devemos salvar essas crianças é porque partimos do pressuposto que a nossa cultura é melhor (ou mais correta) que a deles. Sim ou não?!
Está lançada a discussão.
p.s.: Esse post não é e nem pretende ser um grupo de discussão (vulgo GD do PET). Portanto, sintam-se a vontade para expressarem suas opiniões sem medo de retaliações pessoais, brigas fervorosas, belém-belém-nunca-mais-fico-de-bem ou coisas do tipo.
Minha idéia é compartilhar com vocês, caros leitores do Café Califórnia, alguns desses meus achados e tentar transformá-los em um ponto de discussão pertinente.
E o assunto de hoje: "Cada povo tem sua cultura, cada qual a sua loucura"
Olhem só esse vídeo. Depois da "menina pastora" agora é a vez do "bebê pastor"!!
http://www.youtube.com/watch?v=6BmeF4xWC14
Impressionante como a cultura evangélica (seja lá qual a vertente) é capaz de conquistar adeptos pela "lavagem celebral". E as crianças, sem ainda terem adquirido nenhum discernimento, acabam por absorver tudo o que lhes é apresentado. Até que ponto isso é correto? Não seria mais justo dar a essas crianças a opção de escolha quanto à religião?
Mais impressionante ainda é a tradição indígena de enterrar vivas as crianças que nascem com alguma deficiência, retardo mental ou que sejam fruto de relação extra-conjugal. Segundo a cultura de algumas tribos, o nascimento de uma criança "diferente" representa um mal presságio e a solução que devolveria o bem-estar à comunidade é enterrar viva a criança. O vídeo a seguir é o trailler do filme "Hakani - a história de uma sobrevivente" e conta exatamente uma dessas história de infanticídio. O filme contém cenas de nudez e violência e, portanto, não recomendo assistirem em qualquer lugar.
http://www.youtube.com/watch?v=TXkFWYKFAqM
Mas a questão é a seguinte: O "homem branco" tem o direito de tomar a guarda dessas crianças que serão enterradas vivas? Até que ponto nós temos esse direito de interfrir na cultura dos índios? Se acreditamos que devemos salvar essas crianças é porque partimos do pressuposto que a nossa cultura é melhor (ou mais correta) que a deles. Sim ou não?!
Está lançada a discussão.
p.s.: Esse post não é e nem pretende ser um grupo de discussão (vulgo GD do PET). Portanto, sintam-se a vontade para expressarem suas opiniões sem medo de retaliações pessoais, brigas fervorosas, belém-belém-nunca-mais-fico-de-bem ou coisas do tipo.
04/11/2008
Variedades na aula de Micro
É, pessoal, há muito que alguém não posta no blog. Precisamos reativá-lo, precisamos usá-lo com mais freqüência, afinal, se não o fizermos, ele cairá no esquecimento. Talvez o "café" tenha perdido um pouco daquele seu vigor inicial, agora que a salinha aqui anda tão habitada, por seres por vezes um tanto quanto inoportunos, e que as coisas foram se tornando uma espécie de rotina. Ninguém parece estar tão animado assim como no início do semestre: nem com o café, nem com a faculdade... Mas, ainda assim, vale a pena continuar estudando, postando no blog, enfim, vale aplicar de novo um conceito que - creio eu - temos mantido muito esquecido: califórnia. Bom, mas esses dias tenho estado numa certa crise existencial e aproveitei a insuportável aula de Micro III para vir conversar um pouco com vocês : prometo tentar ser o menos cansativo possível.
Às vezes eu sinceramente tenho a impressão que estou perdendo tempo aqui: estudando gráficos de linhas se cruzando, que não querem dizer nada (ou que são IGUAL, IGUAL, UMA MESMICE COLOSSAL, como diria a propaganda da Oi) ou calculando a heteroscedasticidade, que as professoras de tria escrevem sem SC, para aumentar ainda mais o meu desânimo. Imaginem só, galera, daqui a 10 anos a gente simplesmente falando: é, essa estimação está ligeiramente viesada! Imaginem só: anos penando aqui dentro - estudando, lendo, relendo, fazendo prova - para você um dia escrever um PAPER dizendo que o teste de Hausman pode, para determinados tamahos de amostras ser ligeiramente mais eficiente que o teste de Smoro. Isso porque esta última deve ter usado o teste dela para calcular a probabilidade da vaca cagar o milho 3 horas depois de comê-lo. Difícil... Árduo... O que tem me animado bastante é o fato de que recentemente li que Keynes disse serem os economistas os guardiães da possibilidade de civilização. Pelo jeito como a frase soa, já parece um pouco reconfortante. Mas com a crise aí, sei lá se estamos sendo tão civilizados assim: enfim, espero que um dia possamos dar conta melhor desses rolos. Que fique claro: não são os rolões de milho de Mademoiselle Smoro.
Falando um pouco de política: hoje tem eleição americana. Esperemos que o Obama ganhe, mas vejamos. Também não vai mudar tanta coisa na nossa vida, mas será com certeza bem mais legal saber que o cara "mais poderoso" do mundo não é o Bush nem ninguém do partido dele.
Falando um pouco de política (2): e o Márcio, alguma notícia dele? Todo mundo ficou tão empolgado na reta final e agora nada. Aliás, é um assunto que eu gostaria de ter comentado aqui, mas foram tantos percalços entre a taça e os lábios que não consegui chegar a fazê-lo. O que vocês acham? Ele será um bom prefeito? Deixarei minha opinião e vocês deixem as suas. Desde o início, eu, por convicções político-partidárias, discordei totalmente da "Aliança". Continuo pensando que aquilo foi uma costura política entre tendências aparentemente divergentes com um único objetivo: manter a prefeitura de Belo Horizonte nas mãos de um grupo que está aí há mais de uma dêcada. Discordo desse tipo de política. Assim como discordo também de propostas, a meu ver superficiais e paliativas. O principal exemplo disso é a questão do trânsito: não houve candidato algum que defendesse de forma séria e consistente uma mudança no padrão de transporte urbano do rodoviário para o metroviário. O transporte com carros individuais é excludente, poluente e, a longo prazo, ambientalmente insustentável. Mas talvez um povo que se empolga tanto com Fórmula 1 mereça mesmo sacolejar dentro do ônibus horas a fio todos os dias... Com o perdão dos entusiastas por aquela falta de paciência chamada Fórmula 1, isso foi para dizer que as pessoas no Brasil parecem não querer que as coisa tomem outro rumo. Vamos deixar assim, desde que domingo tenha corrida. Mas o trânsito foi uma digressão: uma discordãncia pontual.
Não concordo com a forma como foi articulada a candidatura e achei o Márcio uma pessoa extremamente ausente e presunçosa durante a campanha. No segundo turno, porém, vi-me obrigado a votar nele por medo do Quintão. Comecei a prestar mais atenção nos debates e percebi que o Márcio parecia não saber direito onde estava amarrando o bode dele, tendo que responder a ataques e insultos do mais baixo calão, aos quais nunca deve ter tido de reagir como homem de negócios. Foi intetressante observar como que ele parecia contar até dez nos debates para não sair daquela porcaria e voltar para a mesa dele para administrar seus faturamentos. Quando o Quintão cobrava números, ele vacilava, ele às vezes trocava uma coisa ou outra, enfim: parecia que ele estava experimentando pelas primeiras vezes a sensação de ser candidato, ou que estava começando a sentir o peso da responsabilidade por uma cidade do porte de BH (ou Formiga, em homenagem aos membros não belo-horizontinos). Meu desgosto em votar nele se atenuou um pouco. Mas sou muito cético com relação à gestão que vem por aí. Acho que vem algo igual ao que já está aí, e com chance ce piorar, pois, convicções à parte, Aécio e Pimentel são políticos inteligentes. Não sei se, diante de uma situação extrema, nosso novo prefeito terá poder de reação ou de decisão. Esperemos então que venham bons vento... E vocês? O que acham?
Às vezes eu sinceramente tenho a impressão que estou perdendo tempo aqui: estudando gráficos de linhas se cruzando, que não querem dizer nada (ou que são IGUAL, IGUAL, UMA MESMICE COLOSSAL, como diria a propaganda da Oi) ou calculando a heteroscedasticidade, que as professoras de tria escrevem sem SC, para aumentar ainda mais o meu desânimo. Imaginem só, galera, daqui a 10 anos a gente simplesmente falando: é, essa estimação está ligeiramente viesada! Imaginem só: anos penando aqui dentro - estudando, lendo, relendo, fazendo prova - para você um dia escrever um PAPER dizendo que o teste de Hausman pode, para determinados tamahos de amostras ser ligeiramente mais eficiente que o teste de Smoro. Isso porque esta última deve ter usado o teste dela para calcular a probabilidade da vaca cagar o milho 3 horas depois de comê-lo. Difícil... Árduo... O que tem me animado bastante é o fato de que recentemente li que Keynes disse serem os economistas os guardiães da possibilidade de civilização. Pelo jeito como a frase soa, já parece um pouco reconfortante. Mas com a crise aí, sei lá se estamos sendo tão civilizados assim: enfim, espero que um dia possamos dar conta melhor desses rolos. Que fique claro: não são os rolões de milho de Mademoiselle Smoro.
Falando um pouco de política: hoje tem eleição americana. Esperemos que o Obama ganhe, mas vejamos. Também não vai mudar tanta coisa na nossa vida, mas será com certeza bem mais legal saber que o cara "mais poderoso" do mundo não é o Bush nem ninguém do partido dele.
Falando um pouco de política (2): e o Márcio, alguma notícia dele? Todo mundo ficou tão empolgado na reta final e agora nada. Aliás, é um assunto que eu gostaria de ter comentado aqui, mas foram tantos percalços entre a taça e os lábios que não consegui chegar a fazê-lo. O que vocês acham? Ele será um bom prefeito? Deixarei minha opinião e vocês deixem as suas. Desde o início, eu, por convicções político-partidárias, discordei totalmente da "Aliança". Continuo pensando que aquilo foi uma costura política entre tendências aparentemente divergentes com um único objetivo: manter a prefeitura de Belo Horizonte nas mãos de um grupo que está aí há mais de uma dêcada. Discordo desse tipo de política. Assim como discordo também de propostas, a meu ver superficiais e paliativas. O principal exemplo disso é a questão do trânsito: não houve candidato algum que defendesse de forma séria e consistente uma mudança no padrão de transporte urbano do rodoviário para o metroviário. O transporte com carros individuais é excludente, poluente e, a longo prazo, ambientalmente insustentável. Mas talvez um povo que se empolga tanto com Fórmula 1 mereça mesmo sacolejar dentro do ônibus horas a fio todos os dias... Com o perdão dos entusiastas por aquela falta de paciência chamada Fórmula 1, isso foi para dizer que as pessoas no Brasil parecem não querer que as coisa tomem outro rumo. Vamos deixar assim, desde que domingo tenha corrida. Mas o trânsito foi uma digressão: uma discordãncia pontual.
Não concordo com a forma como foi articulada a candidatura e achei o Márcio uma pessoa extremamente ausente e presunçosa durante a campanha. No segundo turno, porém, vi-me obrigado a votar nele por medo do Quintão. Comecei a prestar mais atenção nos debates e percebi que o Márcio parecia não saber direito onde estava amarrando o bode dele, tendo que responder a ataques e insultos do mais baixo calão, aos quais nunca deve ter tido de reagir como homem de negócios. Foi intetressante observar como que ele parecia contar até dez nos debates para não sair daquela porcaria e voltar para a mesa dele para administrar seus faturamentos. Quando o Quintão cobrava números, ele vacilava, ele às vezes trocava uma coisa ou outra, enfim: parecia que ele estava experimentando pelas primeiras vezes a sensação de ser candidato, ou que estava começando a sentir o peso da responsabilidade por uma cidade do porte de BH (ou Formiga, em homenagem aos membros não belo-horizontinos). Meu desgosto em votar nele se atenuou um pouco. Mas sou muito cético com relação à gestão que vem por aí. Acho que vem algo igual ao que já está aí, e com chance ce piorar, pois, convicções à parte, Aécio e Pimentel são políticos inteligentes. Não sei se, diante de uma situação extrema, nosso novo prefeito terá poder de reação ou de decisão. Esperemos então que venham bons vento... E vocês? O que acham?
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