27/10/2009

dica do dia: PagoDados


Três malucos tiveram a fantástica idéia de transformar letras de pagode em gráficos. O nome do tumblr deles é PagoDados e merece ser visitado. Vale umas boas risadas.

Olhem só:



São eles @meninaquejoga, @redator e @arashida e para mais gráficos clique aqui!


26/10/2009

comédias da vida doméstica...

1. Em Mainz. Vida de doméstico é dura, minha gente. Imaginem Luiz Felipe Bruzzi Curi escolhendo amaciante no supermercado. Foi muito parecido com escolher refresco da cantina da Face: “Me dá o de vermelho!”. Pois bem, havia vários amaciantes, de diversas cores e tamanhos. Peguei um: “Cheiro de flores”, outro: “Bom para o meio-ambiente”, “Sol do verão”... Fui olhando o preço, diferença de uns centavos entre um e outro. Fui pensando, meio como mineiro: é melhor não levar o mais barato, não, porque deve ter treta. Vou levar um intermediário, assim, que parece bom. Mas olhei para o rótulo: tão barango, com uns desenhos que me lembraram Ana Maria Braga. Quando eu dei por mim que Ana Maria Braga estava entrando na história, decidi rápido: vou pegar o de amarelo. E até que funcionou... E para comprar pano! Nunca imaginei que uma pessoa precisasse de comprar pano. Pano é coisa que brota da cozinha das casas, brota do nada, do chão. Lá fui eu comprar pano... Foi mais fácil: não tinha muita opção. Comprei um kit com três panos. E faz uma falta... Ontem fui lavar a louça acumulada e: ué, como faz para enxugar? Aí escrevo na listinha: pano de prato. Aiai...

2. Talvez uma das primeiras constatações da sabedoria da vida doméstica remeta ao budismo e à ausência de um objetivo final para a existência: para nossa mentalidade monoteísta abraânica, a vida tem um fim (uma finalidade) – a salvação, a redenção, a ressurreição, a Terra Prometida. Não sei muita coisa sobre budismo, mas já ouvi dizer que por lá a vida é cíclica: morte e vida se repetem, uma não é superação da outra. Quando se tem que cuidar da vida doméstica, a realidade da continuidade aparece crua. Não basta limpar hoje: há que limpar hoje e daqui a alguns dias, para limpar novamente. Nas primeiras idas ao supermercado, eu cheguei a pensar que poderia comprar tudo e fazer um estoque, de modo a não mais preocupar-me com acepipes e coisas do gênero. Provavelmente vício de economista que é acostumado a pensar a mercadoria como gelatina de trabalho abstrato (como quer o velho barbudo) e não como um valor de uso, que possui características e idiossincrasias tão particulares. Do tipo: leite coalha, maçã empretece, presunto fede, queijo cura – pelo menos papel higiênico não tem prazo de validade. Também, né? Ter de executar uma função tão vagabunda e ainda ter prazo de expirar seria uma injustiça. Mas é isso: tenho que ir ali recolher as roupas da máquina de secar e, no momento em que faço isso, já olho para a pilha de roupas já sujas bem aqui ao meu lado. O próprio percurso de ir até a máquina de lavar já faz com que esta roupa que estou usando se torne mais suja. É o caráter cíclico da vida doméstica. Acho que por conta de um ser específico (mãe) temos a impressão de que não há esse caráter cíclico, ou pelo menos não somos obrigados a segui-lo: mas a dura realidade é que cada lanche (em casa, lanche é lanche!!) significa: 1. Consumo de víveres, portanto redução do estoque de víveres e várias reduções no mencionado estoque demandam uma ida ao supermercado para reposição. 2. Produção de dejetos que devem ser eliminados ou limpos. O lixo tem que ser acondicionado e posteriormente levado ao local de coleta e a louça utilizada tem que ser lavada. 3. Eliminação, por parte do corpo, dos resíduos, o que significa consumo de papel higiênico e uso do vaso sanitário, o qual também deve ser limpo. Podemos continuar infinitamente, e certamente voltaremos ciclicamente ao lanche, de onde tudo partiu. Antes que vcs pensem que estou pirando, vou buscar as roupas!!

15/10/2009

Mais observações


1. Na biblioteca da Universidade de Nottingham. Camilinha havia ido à aula e marcamos de nos encontrar na grande biblioteca da universidade. Um prédio enorme, envidraçado, um verdadeiro templo do saber britânico. Entrei. Fui direto à sala de livros de economia. Corri aos computadores. Aliás, nesse quesito o mundo está bem globalizado (ou “as pessoas que estudam biblioteconomia têm alguma lógica!”), porque os computadores funcionam de maneira muito parecida com os da nossa UFMG. Mas uma coisa falta: bloquinho e caneta para anotar as coisas. Esses países desenvolvidos ficam racionalizando demais e acabam economizando nessas pequenas coisas que tornam a vida mais prática e agradável. Enfim, adivinham o que digitei lá primeiro pra ver se encontrava? Acertou quem disse: MARX. Coloquei lá: “Marx Grundrisse”. E ele encontrou. Armado somente da minha memória, fui à prateleira e, pela primeira vez em toda minha vida, coloquei as mãos num exemplar alemão original dos Grundrisse. Fiquei lá, lendo os títulos e subtítulos e lembrando. Quis roubar pro João Antônio... Afinal, não temos um desses na nossa querida Face. Mas depois o alarme da biblioteca poderia soar e seria uma cena baixa. Voltei ao computador: “Celso Furtado”. Encontrou uns quatro! Mais uma vez, repetindo mentalmente os códigos, fui atrás: “Economic Growth in Latin America” e “Economic Development in Brazil”. Formação Econômica da América Latina e Formação Econômica do Brasil estavam lá. É tão bom ver esses ingleses tendo que engolir a gente um pouco... O velho decrépito foi longe, gente! Foi dando a minha hora e tive que ir embora, antes que pudesse digitar Claudio Gontijo e ver a enorme prateleira dedicada a ele na Universidade de Nottingham.

2. Foto com o fundador da nossa ciência. Acho que só economistas fazem esse tipo de coisa. É claro que tive de tirar uma foto com Adam em Edimburgo! Melhor do que isso é ficar sabendo, na cidade de Adam Smith, que nós seremos sede das Olimpíadas 2016. A Escócia, aliás, é um país lindo e Edimburgo, uma cidade fantástica: meio dark, meio assombrada, cheia de meandros e ladeiras como Ouro Preto e escura como se fosse um castelo rodeado de casas de pedra (o que de fato é verdade!). É um lugar meio isolado, aonde nem os romanos chegaram. No entanto, que me desculpe o Smith, mas nós estamos muito bem na fita, sediando Copa e Olimpíadas! Mas já era hora. Estou rodando neste momento num trem no interior da Inglaterra, com suas fábricas e usinas desativadas, do tempo da revolução industrial, uns campos com ovelhas pascendo – esse mundo é muito velho! OK, eles são mais ricos que a gente, estão tecnologicamente à frente, mas esse mundo já não é a realidade e nem o desejo do ser humano. Por aqui as coisas parecem ser nostalgia de uma Era de Ouro (“Era do Capital” já diria Hobsbawm) perdida e nós – “brigada Deus!” – vivemos o país do futuro! O futuro nunca chega, mas nós estamos sempre na esperança de alguma coisa nova, uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, o pré-sal – pelo esporte ou do fundo do mar, a salvação há de vir. Se não vier, problemas. Como bom atleticano, sei que sempre há um campeonato depois do outro. Aqui, parece que a vida perdeu esse viço, esse ímpeto de seguir em frente que a gente sente no Brasil: essa ânsia pelo novo, essa consciência de que existe uma Amazônia a descobrir, de que há um sertão árido a desbravar. Lembram do lema da UFMG? “Incipit vita nova” (inicia a vida nova). Aqui, lema de universidade é: DESDE 1200 e vovó gostosa. Cultiva-se quase somente o que já passou... Até porque não só as fábricas, mas a população é decrépita! Hahahaha. Gente, a Inglaterra tá com o pé na cova! Mas é isso por hoje: aí vai a foto com nosso Adam.