26/10/2009

comédias da vida doméstica...

1. Em Mainz. Vida de doméstico é dura, minha gente. Imaginem Luiz Felipe Bruzzi Curi escolhendo amaciante no supermercado. Foi muito parecido com escolher refresco da cantina da Face: “Me dá o de vermelho!”. Pois bem, havia vários amaciantes, de diversas cores e tamanhos. Peguei um: “Cheiro de flores”, outro: “Bom para o meio-ambiente”, “Sol do verão”... Fui olhando o preço, diferença de uns centavos entre um e outro. Fui pensando, meio como mineiro: é melhor não levar o mais barato, não, porque deve ter treta. Vou levar um intermediário, assim, que parece bom. Mas olhei para o rótulo: tão barango, com uns desenhos que me lembraram Ana Maria Braga. Quando eu dei por mim que Ana Maria Braga estava entrando na história, decidi rápido: vou pegar o de amarelo. E até que funcionou... E para comprar pano! Nunca imaginei que uma pessoa precisasse de comprar pano. Pano é coisa que brota da cozinha das casas, brota do nada, do chão. Lá fui eu comprar pano... Foi mais fácil: não tinha muita opção. Comprei um kit com três panos. E faz uma falta... Ontem fui lavar a louça acumulada e: ué, como faz para enxugar? Aí escrevo na listinha: pano de prato. Aiai...

2. Talvez uma das primeiras constatações da sabedoria da vida doméstica remeta ao budismo e à ausência de um objetivo final para a existência: para nossa mentalidade monoteísta abraânica, a vida tem um fim (uma finalidade) – a salvação, a redenção, a ressurreição, a Terra Prometida. Não sei muita coisa sobre budismo, mas já ouvi dizer que por lá a vida é cíclica: morte e vida se repetem, uma não é superação da outra. Quando se tem que cuidar da vida doméstica, a realidade da continuidade aparece crua. Não basta limpar hoje: há que limpar hoje e daqui a alguns dias, para limpar novamente. Nas primeiras idas ao supermercado, eu cheguei a pensar que poderia comprar tudo e fazer um estoque, de modo a não mais preocupar-me com acepipes e coisas do gênero. Provavelmente vício de economista que é acostumado a pensar a mercadoria como gelatina de trabalho abstrato (como quer o velho barbudo) e não como um valor de uso, que possui características e idiossincrasias tão particulares. Do tipo: leite coalha, maçã empretece, presunto fede, queijo cura – pelo menos papel higiênico não tem prazo de validade. Também, né? Ter de executar uma função tão vagabunda e ainda ter prazo de expirar seria uma injustiça. Mas é isso: tenho que ir ali recolher as roupas da máquina de secar e, no momento em que faço isso, já olho para a pilha de roupas já sujas bem aqui ao meu lado. O próprio percurso de ir até a máquina de lavar já faz com que esta roupa que estou usando se torne mais suja. É o caráter cíclico da vida doméstica. Acho que por conta de um ser específico (mãe) temos a impressão de que não há esse caráter cíclico, ou pelo menos não somos obrigados a segui-lo: mas a dura realidade é que cada lanche (em casa, lanche é lanche!!) significa: 1. Consumo de víveres, portanto redução do estoque de víveres e várias reduções no mencionado estoque demandam uma ida ao supermercado para reposição. 2. Produção de dejetos que devem ser eliminados ou limpos. O lixo tem que ser acondicionado e posteriormente levado ao local de coleta e a louça utilizada tem que ser lavada. 3. Eliminação, por parte do corpo, dos resíduos, o que significa consumo de papel higiênico e uso do vaso sanitário, o qual também deve ser limpo. Podemos continuar infinitamente, e certamente voltaremos ciclicamente ao lanche, de onde tudo partiu. Antes que vcs pensem que estou pirando, vou buscar as roupas!!

4 comentários:

Camilinha disse...

HAHAHAHHAHAHA!!! O melhor foi a gte discutindo tudo isso por skype.. e vc me mostrando os PRODUTOS!! HAHHAHAHAHAHHA.. e vc esqueceu de contar sua melhor aquisicao.. o treco de lavar vaso sanitario.. hehhehehehheheheh

Luiz Bruzzi disse...

ah eh verdade!!!
a toalhinha é super prática!!

Márcia disse...

não é fácil essa vida de doméstica, né?
Como já estou a muuuuitos anos vivendo "sem mamãe", já sou uma especialista no assunto.

Mas é uma experiência que vale a pena, vcs vão ver!

Steph disse...

Comédias da vida privada nem sempre são engraçadas para quem as vive, mas para quem as lê certamente são!
Espere seu ralo do box entupir, ou o aspirador de pó do locatario estragar nas suas mãos!!! hehehe
Quanto às roupas sujas, minha sugestão é deixa-las ficar um pouco mais sujas... já ouviu a expressão "andando sozinha"?!?!