15/10/2009

Mais observações


1. Na biblioteca da Universidade de Nottingham. Camilinha havia ido à aula e marcamos de nos encontrar na grande biblioteca da universidade. Um prédio enorme, envidraçado, um verdadeiro templo do saber britânico. Entrei. Fui direto à sala de livros de economia. Corri aos computadores. Aliás, nesse quesito o mundo está bem globalizado (ou “as pessoas que estudam biblioteconomia têm alguma lógica!”), porque os computadores funcionam de maneira muito parecida com os da nossa UFMG. Mas uma coisa falta: bloquinho e caneta para anotar as coisas. Esses países desenvolvidos ficam racionalizando demais e acabam economizando nessas pequenas coisas que tornam a vida mais prática e agradável. Enfim, adivinham o que digitei lá primeiro pra ver se encontrava? Acertou quem disse: MARX. Coloquei lá: “Marx Grundrisse”. E ele encontrou. Armado somente da minha memória, fui à prateleira e, pela primeira vez em toda minha vida, coloquei as mãos num exemplar alemão original dos Grundrisse. Fiquei lá, lendo os títulos e subtítulos e lembrando. Quis roubar pro João Antônio... Afinal, não temos um desses na nossa querida Face. Mas depois o alarme da biblioteca poderia soar e seria uma cena baixa. Voltei ao computador: “Celso Furtado”. Encontrou uns quatro! Mais uma vez, repetindo mentalmente os códigos, fui atrás: “Economic Growth in Latin America” e “Economic Development in Brazil”. Formação Econômica da América Latina e Formação Econômica do Brasil estavam lá. É tão bom ver esses ingleses tendo que engolir a gente um pouco... O velho decrépito foi longe, gente! Foi dando a minha hora e tive que ir embora, antes que pudesse digitar Claudio Gontijo e ver a enorme prateleira dedicada a ele na Universidade de Nottingham.

2. Foto com o fundador da nossa ciência. Acho que só economistas fazem esse tipo de coisa. É claro que tive de tirar uma foto com Adam em Edimburgo! Melhor do que isso é ficar sabendo, na cidade de Adam Smith, que nós seremos sede das Olimpíadas 2016. A Escócia, aliás, é um país lindo e Edimburgo, uma cidade fantástica: meio dark, meio assombrada, cheia de meandros e ladeiras como Ouro Preto e escura como se fosse um castelo rodeado de casas de pedra (o que de fato é verdade!). É um lugar meio isolado, aonde nem os romanos chegaram. No entanto, que me desculpe o Smith, mas nós estamos muito bem na fita, sediando Copa e Olimpíadas! Mas já era hora. Estou rodando neste momento num trem no interior da Inglaterra, com suas fábricas e usinas desativadas, do tempo da revolução industrial, uns campos com ovelhas pascendo – esse mundo é muito velho! OK, eles são mais ricos que a gente, estão tecnologicamente à frente, mas esse mundo já não é a realidade e nem o desejo do ser humano. Por aqui as coisas parecem ser nostalgia de uma Era de Ouro (“Era do Capital” já diria Hobsbawm) perdida e nós – “brigada Deus!” – vivemos o país do futuro! O futuro nunca chega, mas nós estamos sempre na esperança de alguma coisa nova, uma Olimpíada, uma Copa do Mundo, o pré-sal – pelo esporte ou do fundo do mar, a salvação há de vir. Se não vier, problemas. Como bom atleticano, sei que sempre há um campeonato depois do outro. Aqui, parece que a vida perdeu esse viço, esse ímpeto de seguir em frente que a gente sente no Brasil: essa ânsia pelo novo, essa consciência de que existe uma Amazônia a descobrir, de que há um sertão árido a desbravar. Lembram do lema da UFMG? “Incipit vita nova” (inicia a vida nova). Aqui, lema de universidade é: DESDE 1200 e vovó gostosa. Cultiva-se quase somente o que já passou... Até porque não só as fábricas, mas a população é decrépita! Hahahaha. Gente, a Inglaterra tá com o pé na cova! Mas é isso por hoje: aí vai a foto com nosso Adam.

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