1. Em Mainz. Vida de doméstico é dura, minha gente. Imaginem Luiz Felipe Bruzzi Curi escolhendo amaciante no supermercado. Foi muito parecido com escolher refresco da cantina da Face: “Me dá o de vermelho!”. Pois bem, havia vários amaciantes, de diversas cores e tamanhos. Peguei um: “Cheiro de flores”, outro: “Bom para o meio-ambiente”, “Sol do verão”... Fui olhando o preço, diferença de uns centavos entre um e outro. Fui pensando, meio como mineiro: é melhor não levar o mais barato, não, porque deve ter treta. Vou levar um intermediário, assim, que parece bom. Mas olhei para o rótulo: tão barango, com uns desenhos que me lembraram Ana Maria Braga. Quando eu dei por mim que Ana Maria Braga estava entrando na história, decidi rápido: vou pegar o de amarelo. E até que funcionou... E para comprar pano! Nunca imaginei que uma pessoa precisasse de comprar pano. Pano é coisa que brota da cozinha das casas, brota do nada, do chão. Lá fui eu comprar pano... Foi mais fácil: não tinha muita opção. Comprei um kit com três panos. E faz uma falta... Ontem fui lavar a louça acumulada e: ué, como faz para enxugar? Aí escrevo na listinha: pano de prato. Aiai...
2. Talvez uma das primeiras constatações da sabedoria da vida doméstica remeta ao budismo e à ausência de um objetivo final para a existência: para nossa mentalidade monoteísta abraânica, a vida tem um fim (uma finalidade) – a salvação, a redenção, a ressurreição, a Terra Prometida. Não sei muita coisa sobre budismo, mas já ouvi dizer que por lá a vida é cíclica: morte e vida se repetem, uma não é superação da outra. Quando se tem que cuidar da vida doméstica, a realidade da continuidade aparece crua. Não basta limpar hoje: há que limpar hoje e daqui a alguns dias, para limpar novamente. Nas primeiras idas ao supermercado, eu cheguei a pensar que poderia comprar tudo e fazer um estoque, de modo a não mais preocupar-me com acepipes e coisas do gênero. Provavelmente vício de economista que é acostumado a pensar a mercadoria como gelatina de trabalho abstrato (como quer o velho barbudo) e não como um valor de uso, que possui características e idiossincrasias tão particulares. Do tipo: leite coalha, maçã empretece, presunto fede, queijo cura – pelo menos papel higiênico não tem prazo de validade. Também, né? Ter de executar uma função tão vagabunda e ainda ter prazo de expirar seria uma injustiça. Mas é isso: tenho que ir ali recolher as roupas da máquina de secar e, no momento em que faço isso, já olho para a pilha de roupas já sujas bem aqui ao meu lado. O próprio percurso de ir até a máquina de lavar já faz com que esta roupa que estou usando se torne mais suja. É o caráter cíclico da vida doméstica. Acho que por conta de um ser específico (mãe) temos a impressão de que não há esse caráter cíclico, ou pelo menos não somos obrigados a segui-lo: mas a dura realidade é que cada lanche (em casa, lanche é lanche!!) significa: 1. Consumo de víveres, portanto redução do estoque de víveres e várias reduções no mencionado estoque demandam uma ida ao supermercado para reposição. 2. Produção de dejetos que devem ser eliminados ou limpos. O lixo tem que ser acondicionado e posteriormente levado ao local de coleta e a louça utilizada tem que ser lavada. 3. Eliminação, por parte do corpo, dos resíduos, o que significa consumo de papel higiênico e uso do vaso sanitário, o qual também deve ser limpo. Podemos continuar infinitamente, e certamente voltaremos ciclicamente ao lanche, de onde tudo partiu. Antes que vcs pensem que estou pirando, vou buscar as roupas!!
26/10/2009
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4 comentários:
HAHAHAHHAHAHA!!! O melhor foi a gte discutindo tudo isso por skype.. e vc me mostrando os PRODUTOS!! HAHHAHAHAHAHHA.. e vc esqueceu de contar sua melhor aquisicao.. o treco de lavar vaso sanitario.. hehhehehehheheheh
ah eh verdade!!!
a toalhinha é super prática!!
não é fácil essa vida de doméstica, né?
Como já estou a muuuuitos anos vivendo "sem mamãe", já sou uma especialista no assunto.
Mas é uma experiência que vale a pena, vcs vão ver!
Comédias da vida privada nem sempre são engraçadas para quem as vive, mas para quem as lê certamente são!
Espere seu ralo do box entupir, ou o aspirador de pó do locatario estragar nas suas mãos!!! hehehe
Quanto às roupas sujas, minha sugestão é deixa-las ficar um pouco mais sujas... já ouviu a expressão "andando sozinha"?!?!
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