FELIZ ANO NOVO!!!
Espero que a passagem de ano tenha sido, para voces, ótima. A minha foi. 2008 foi interminável, mas ao mesmo tempo um bom ano. Que 2009 seja ainda melhor!
Como muitos de voces também vao viajar esse ano, vou estreiar os posts de 2009 com um pequeno (tamanho é algo relativo. A Camilinha que o diga!) relato sobre o dia 26/27 de dezembro de 2008. Lembro-lhes que o teclado daqui nao tem TIU, nem acento circunflexo, nem cedilha. Eu pelo menos fui incapaz de achá-los. Sinto muito...
Adoro viajar. Sempre quando me pergunto pra que diabos eu quero um dia ganhar muito dinheiro na vida, tenho a resposta na ponta da língua: pra conhecer o mundo. Mas também fico pensando: porque os milionários nao o fazem? Existem mil livros sobre a colecao de carros de fulano, sobre as casas do beltrano e sobre as plasticas da mulher do Abílio Barreto (seja esse o nome do dono do Pao de Acucar). Mas nunca vi nenhum livro sobre suas viagens maravilhosas, sobre suas voltas ao mundo... só do Amyr Klink, que pra mim é mais um esquisitao do que um milionario própriamente dito. Enfim, entre os dias 26 e 27 de dezembro, descobri porque...
Primeiramente, a espera. Fila pro check-in, medo de a mala ter ultrapassado o peso máximo permitido (será que alguém consegue viver com apenas 64kg em 6 meses?!), tensao. Eliminada essa etapa, resta-nos a espera até a hora de embarque, já que o tempo que sobra é curto demais para ir a um restaurante ou para fazer coisas realmente significativas, e ao mesmo tempo longo o bastante para que a conversa seja angustiante. Aí fica aquele papo ruim, meio sem graca, amigos aparecem para quebrar o gelo, mas ainda sim o clima é estranho. Isso tudo quando se está acompanhada; quando se está sozinha a atividade de observar as pessoas já ajuda como entretenimento, só que em camera lenta, contrariando Cazuza: o tempo pára, sim. Em seguida, vem a despedida, depois da qual sempre resta um nózinho na garganta. Perdendo os rostos amigos de vista, seguimos por infinitos corredores cheio de dectores de metal, de pessoas nos assistindo, cameras, segurancas... e mais espera! Pior ainda quando nao há cadeiras suficientes para todos. Pessoas impacientes, criancas chorando, quinhentas enoooormes bagagens de mao ocupando cadeiras (elas nao deveriam ser obrigatoriamente despachadas?!?!?!) e encontramos, por sorte, um lugarzinho nada acolhedor no chao, do lado da porta. Ainda que com um pouco de nojo, assentamo-nos, e somos imitados por mais algumas pessoas, a maioria com cara de gringos, que acham a solucao ideal. E agora, o que se segue?! Adivinhem?! Sim, certo: mais espera!
Espera até o pesadelo comecar (siiiim, isso tudo nao foi nem o epílogo!)!
Como se nao bastasse todas as desventuras e desconfortos até entao, o voo atrasou. 1 hora. Sim, todos os outros passageiros de todas as outras companhias aereas, seguindo para todos os outros destinos embarcaram, os lugares agora sobram na sala de embarque, e nada do aviao chegar. Segundo funcionarios da cia aerea, o aviao estava atrasado por problemas operacionais. Peraí, o que diabos sao "problemas operacionais"?! Destarte, a palavra PROBLEMA nao combina muito com a palavra VOO, muito menos com a palavra AVIAO. É senso comum que essas duas palavras nunca devem estar na mesma frase, ou mesmo na mesma página. (eu posso!) Ainda mais se quem as ouve (ou le... ou fala, ou escreve!) sente-se pouco confortável esmagada em uma mini-poltrona durante 9 horas e meia, dentro de uma enooooorme maquina cheia de gente, malas e só deus sabe o que mais, pesadassa, e que ainda por cima voa. Sim, voa! No ar, sob o imenso oceano atlantico. Seja ele formado por lágrimas de Portugal ou nao, nao é ali que eu quero cair...
Pra mim, avioes desafiam a física (nao que eu já tenha algum dia entendido de física, mas de toda forma...). Minha concepcao aristotélica do mundo diz que uma coisa só se move se empurrada por outra coisa, mas aceita como verdade absoluta, como zero conditional, que algo que está no ar vai fatalmente cair. E durante o voo é impossível esquecer isso, principalmente porque os construtores de aeronaves fazem questao de nos lembrar disso durante toda a viagem: esmagado contra nossa cara tem um adesivo escrito "em caso de emergencia, use o assento para flutuar"!!!! A gente entra num aviao, morrendo de medo, e passamos o voo todo em 1m² de espaco sabendo que aquilo ali pode cair e devemos estar preparados para rapidamente arrancar nosso assento e usá-lo para flutuar!!!
Flutuar? Grandes coisas! E se o aviao nao cair n`água?! Duvido que como para-quedas aquilo ali sirva... aliás, duvido que em momentos de emergencia alguem se lembre da petulante frase! Fico imaginando se as aeromocas manteriam a calma em momentos de emergencia, afinal de contas elas sao também seres humanos, né? (Mais ou menos. As da Ibéria estao mais para seres desumanos, sem compaixao pelo sofrimento alheio...). Por isso, ao menor sinal de tremor, meus olhos buscam sempre um comissário de bordo. Se sua cara mostrar sinais de inquietacao, oooops, algo nao vai bem... É por esse motivo também que durante o voo inteiro entre Rio de Janeiro e Madrid eu busquei freneticamente o rosto dos comissários de bordo: nunca voei tao mal assim na vida!!!
Como se nao bastasse o atraso, a turbulencia comecou no solo, durou o voo inteiro e só parou no monstruoso Barajas. Só lá, durante o voo inteiro, o aviso de "atar cintos" foi desligado, tamanha era a indisposicao climática. Pode ser também que o piloto estivesse meio bebado, de ressaca natalina. Aliás, só pode ser essa a explicacao....
Toda hora ouvia-se a voz dele alertando-nos, em espanhol, que mais turbulencia viria e que deveríamos permanecer sentados. Ninguem podia nem tentar dormir, mesmo se fosse o Dalai Lama em pessoa, cheio de serenidade interna, e nao ligasse para os chacoalhoes constantes: o próprio piloto nao permitia! E do meu lado, uma crianca de uns 12 anos fazia a cada 2 minutos as mesmas perguntas para a mae: "nós vamos sobreviver?" ou ainda "já estamos mortos?". E eu sem minha mae do lado, nem podia perguntar coisas semelhantes ou apertar a mao de alguem. Nem chorar eu podia: imagina se a crianca me visse chorando? Eu, uma cavalona dessas, metida, cheia de si, chorando!? O menino entraria em panico, coitado! Tive que manter a pose e só um "putaquepariu" de quando em vez eu soltei. Como diriam os alemaes: "Respekt"! Me portei como uma mocinha! Mas por dentro, eu tremia todinha...
Sobre a comida, melhor nem comentar. Tia, odonto, bandejao: tudo restaurante cinco estrelas perto do que foi servido. Servido nada, empurrado, tendo em vista a delicadeza das aeromocas. E na hora do café? Elas só faltavam nos dar uma bandejada na cara, exigindo que entendessemos instantaneamente que a nossa xícara deveria ser colocada na bandejinha delas. E isso para aqueles que ainda tinham estomago. O meu tinha ficado no Brasil, nao me acompanhou durante o voo.
Cheguei em Madrid bamba, tremula, e ainda tinha que encarar a famooooosa imigracao espanhola. Fui ao banheiro, escovei dentes (sem pasta, claro, pois ela ficou no Rio fazendo companhia a meu estomago, nao pode embarcar), até maquiagem passei. Parecia uma debutante, pronta para me apresentar à sociedade. Mais fila. Chegou minha vez, será que eu seria confinada por 10 horas numa salinha cheia de bolivianos e cubanos?! Nada. A desgracada da mulher da imigracao mal olhou pro meu passaporte e bateu o carimbao lá, sobre o visto mesmo (diaba! Tantas folhinhas em branco, por que justo sobre o visto?!?!?!).
Ufa! Agora só me restava achar o meu portao de embarque pra Alemanha pra esperar por lá o resto das 5 horas que ainda faltavam. (5 horas, porque antes eram 6, mas o aviao atrasou no Rio, lembra?... que agradável...)
Peguei o metro (sim, tem um metro dentro do aeroporto), e sai do terminal A para ir para o J (observacao: lá tem terminais correspondentes a todas as letras do alfabeto!), o que me levou quase uma hora, primeiro até achar o metro (claro que eu me perdi!), depois até achar 2 cariocas também perdidos (claro que eu ia encontrar brasileiros... se é que cariocas o sao!), e finalmente até chegar no bendito terminal, onde eu comi, dei sinal de vida para meus pais e tirei um cochilo. E me preparei psicologicamente para o próximo voo, mais intermináveis 2 horas rumo Düsseldorf by Ibéria.
Mas dessa última etapa, só o que conta é o final:
Para viajar desconfortavelmente e morrer de medo, usei Visa (e deixei meus pais passando fome no Brasil!). Mas ver minha familia alema me esperando com a bandeira do Brasil em pleno inverno europeu, nao tem preco.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

4 comentários:
Belo relato de viagem! hahaha
mas pode ter certeza que milionários não passam por tudo isso... eles simplesmente pegam seus jatinhos particulares e voam, sem atrasos, com lanchinhos felizes e aeromoças particulares.
espero q o ultimo paragrafo tenha compensado todos os anteriores!
e ao mesmo tempo fica um frio na barriga, de pensar que daqui um mês eu estarei fazendo a mesma coisa, com um detalhe, não vai ter familia alemã me esperando, somente um monte de holandeses malucos e um continente totalmente estranho para mim! hehehe
no mais, feliz ano novo a todos!
e uma observação: o dono do pão de açúcar é o Abilio Diniz, pai do Pedro Paulo Diniz, que era piloto de formula 1! hahah
ei, tete!
tb adorei o relato de viagem! Sempre q possível, eu me comprometo a atualizar o blog pra vc ficar sabendo das notícias daqui!
grande abraço e boa viagem!
.
ah! André! não bastasse o santander a sua família tb é dona do pão de açucar?! q isso..
Se bobear, dona do Corcovado também!!!
claro...
minha familia é dona de tudo!
muahahahahah
mas juro q arrumo um emprego pra vcs no santander e no pão de açúcar, ok?
vo falar com tio abílio e com meu outro tio do santander (q no momento me esqueci o nome)...afinal são tantas propriedades que agente não lembra de tudo
Postar um comentário