Numa conversa hoje à tarde, comecei a descrever a situação em que gosto de tomar uma Coca-Cola - sim, em alguns momentos cedo às tentações do imperialismo ianque. Ocorreu-me postar então alguns apontamentos sobre situações que pedem determinadas bebidas ou, de outra forma, quais as situações em que a bebida desce redondo.
Coca-Cola: acompanhando um bom hambúrguer - de preferência de picanha - guarnecido por batatas fritas quentinhas e brilhando com a gordura que acabou de secar. Você vê o queijo derretendo, escorrendo pela parte inferior do pão, e dá aquela mordida. Depois, um gole de Coca com gelo e limão - da garrafa de vidro.
Champanhe: comemorações que envolvem emoções e muitas pessoas. Um casamento, uma formatura, um aniversário marcante, um réveillon - em todas essas ocasiões o champanhe acompanha bem, ajuda a realçar o clima de festa e parece trazer bom agouro.
Café: em diversas situações. De manhã cedo, o café desperta. À tarde, não há como trabalhar sem ele. À noite, na véspera de alguma prova, o café é fundamental. Aliás, minha tese de Livre-Docência será sobre a relação existente entre o teor da cafeína no organismo e o RSG, medido de 0 a 5, dos alunos de economia da FACE. O principal é que o café enseja a conversa, o bate-papo, e é pretexto para tudo: para sair da sala e confabular com alguém, para ver o movimento da faculdade, para escapar de uma situação embaraçosa. "Vou ali pegar café, tá?" - e o bicho pegando, Go desfiando um rosário de observações sobre as Minas Setecentistas. O café é, acima de tudo, um socializador. Existe, é claro, a importância econômica deste produto - mas deixemos para outra oportunidade.
Pinga: quando a cerva está muito cara e você tem muito pouca grana. Ou com um frango com quiabo, em Tiradentes, sentado num banco de tronco de árvore, escutando as galinhas cacarejarem no quintal e curtindo aquela modorra das Minas Gerais interioranas num sábado à tardinha.
Cerveja: fiel companheira do homem - criada por Deus no oitavo dia para fazer-nos companhia na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, por todos os dias de nossas vidas. A cerveja não nos abandona: de todas as bebidas, ela é a que está sempre lá, faça chuva ou faça sol - na praia, em casa, no buteco, no hotel mais elegante do mundo, à beira da piscina, na varanda da fazenda. A cerveja integra os amigos, alegra os amantes, alivia o sofrimento dos desvalidos, agrada os ricos e anima os pobres. Não se trata de uma bebida que procura manter o status quo: pobre e rico, bebendo cerveja, todos bem. Nada disso. A cerveja pode ser também o elixir da revolução. Não se esqueçam de que Marx era alemão. Depois de degolar o último burguês, tomaremos o quê??? Champanhe?? Até parece. Mas o principal é que a cerveja parece nos redimir. Com ela, vemos que a vida pode ser um pouco mais leve, mesmo que nós sejamos tão indignos, em volta de uma mesa cheia de copos lagoinha.
14/08/2008
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2 comentários:
Não que eu sinta saudades do centro da cidade, mas acho que a vinda para o campus nos fez perder um dos espaços mais importantes da faculdade: o buteco do D.A.
Será possível discutir grandes teorias sem cerveja?!?
Provavelmente, no LP, sentiremos os efeitos acadêmicos da falta de cervaja.
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