1. Em decorrência da inimaginável economia do fator trabalho que reina nesses países que se intitulam “desenvolvidos”, não há ninguém responsável por tirar xerox. Ou seja, nós, pobres estudantes que mal sabem fazer uma prova, temos de nos entender, sem a menor preparação, com os monstros de metal e plástico que desempenham a função de tirar cópias. Eis que Luiz Felipe hoje necessitava de cópias. Pensei: deve haver, bem acima da máquina, as instruções para uso, assim como havia quando precisei de usar o scanner. Mas não... Não havia nada. Aqui, os pais devem ensinar para os meninos – além de andar de bicicleta, cuidar da grama e do jardim e cozinhar – a arte de xerocar. Então, estava eu de frente para as máquinas de xerox e pus-me a procurar alguma instrução escondida em algum canto: nada. A primeira pista que tive, é que tem-se que usar o Studicard (cartão para comer no bandejão) para pagar as cópias. Coloquei o meu no buraquinho próprio. A máquina se iluminou!! Mas em seguida retirei-o. Fiquei com medo de a máquina começar a copiar desesperadamente e gastar todo meu dinheiro... Ahhhh!! Ok, pensei, vamos começar do começo. Recoloquei o cartão, a máquina iluminou, mas não fez mais nenhum movimento brusco: boazinha, bonitiinha, pensei, quase acariciando-a. E aí eu simplesmente não sabia como levantar aquela tampa... Me uma saudade enoooorme da Nayane e da Adriana!! Nossa, que anjos, que pessoas maravilhosas que me iluminaram a vida durante esses anos todos de cópias e mais cópias: por que eu não lhes pedi um pequeno curso de como xerocar??? Lembrei de como esperava ali na janelinha, batendo um papinho, e às vezes vinha o Alban Fred querendo saber o que eu estava xerocando, acompanhado de seu amigo SO, aí imediatamente voltei minha atenção para a máquina. Ninguém merece não saber xerocar e ser atormentado por monstros... Aí pensei com muito cuidado na Nayane e na Adriana: basicamente, elas apertavam um botão grande, depois de dar umas programadas. As programadas eu não tinha a menor esperança de conseguir fazer: reduzir – HAHAHAHAHAHAH – me pedisse para recitar as suras do Alcorão mas não me pedisse para reduzir. Mas o grande botão verde estava ao meu alcance... Coloquei a revista meio ali na marca do A4 e... apertei. PRRRRRRR... TRRRRRRR... Corri para olhar de quando fora o prejuízo. 0,05 euro... Mas pelo menos não tinha sido roubado. Só que havia um problema: onde estava a página copiada??? Lá na Face saía do lado!! Aí olhei para a pessoa do lado, na outra máquina, e, parecendo muito natural, copiei a próxima página. Eu não ia começar a procurar o buraco de onde saem as folhas, assim em plena biblioteca né... Copiei tudo que precisava e a hora chegou. Dei uma abaixada assim de viés, passei a mão pelo corpo plástico da máquina... e fui cutucando. Uma pessoa passou – dei uma risada “hã hã” – e heureka! Achei as folhas, ainda quentes. Nayane e Adriana podem ter orgulho de mim! Consegui xerocar!!
2. Gente, o mundo é realmente muito pequeno. Vocês acreditam que fui encontrar, aqui na Alemanha, com um cara que conheci na Faculdade, no ano de 2007??? Pois é, eu também custei a acreditar, mesmo porque depois disso ele sumiu: nunca mais o vi, nem ouvi falar dele. Ele mexe com umas coisas de matemática e fez Micro I com a gente: ele costumava aparecer nas aulas da Carla. E o pior é que eu sempre achei ele um chato de galocha. Nem o conhecia direito, mas não tinha muita simpatia. Sabe, quando você vê um sujeito e já pensa: nossa, com esse aí não vou me dar bem. E ele sumiu completamente da Faculdade: acho que só o vimos no segundo período mesmo, talvez no terceiro, mas não me lembro dele depois das aulas da Carla. E eis que me aparece aqui, na aula de Economia Industrial, esse sujeito. Quando ele apareceu, eu não me lembrava direito do nome dele, é claro. Mas, para minha surpresa, o professor o apresentou. Aí não teve como: para minha infelicidade, eu lembrei de quem se tratava. O professor apontou e falou assim: Lagrange!

4 comentários:
lagrange! você por aqui! como tem passado?!
Bruzzinho, acho que o que prova a qualidade de uma crônica é quando, ao passarmos por situações meramente semelhantes, logo lembramos do que nos foi descrito pelo cronista. As suas já passaram por esse teste: hoje te contei o caso dos bolivianos da bolívia (hahaha), mas esqueci de comentar que também tive desventuras com xerox, o que me fez pensar saudosíssimamente nas nossas amigas - tantas vezes ineficientes, vááárias vezes inadequadas! - Nayane e Adriana!
Fui tirar xerox de uns textos de regional numa papelaria aqui em casa e, samaritanamente, me ofereci pra copiar também para Paty e Xulia. Ai, quanto arrependimento! A máquina copiava uma página por página (eram, ao todo, 3x18 + 3x14 + 2x25 --> apenas 2 vezes 25, e não 3 vezes, pq a Julia ficou com preguiça de ler o texto em ingles! hehehe), e a mulher era a mais ineficiente do universo! Ela conseguiu embaralhar páginas, esquecer do verso, granpear de cabeça pra baixo (alternadamente, claro) e ainda por cima me pediu ajuda pra ajudar a organizar tudo!!! hehehe
Santo Deus... o pior de tudo foi pagar 15 centavos (!!!!) por cópia!
Ai, quantaaaa saudade da Nayane!
400 zilhoes de erros e zero segundos de tempo sobrando para os corrigir!
Desculpa!
A Adriana e a Nayane têm pós-graduação!! Nessa função específica - xerox - eles alcançaram um grau de especialização e produtividade que, diante da tecnologia disponível, dificilmente pode ser superado...
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